Passagens mornas...

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Ao som da música  escrevo e reescrevo passagens de outros aléns. Há blogs com textos muitos bons, mesmo muito bons, tanto através da prosa, poesia ou apenas relatos de dias negros, que nos fazem pensar e nos obrigam a  vasculhar no nosso interior, que implicações é que terão no nosso comportamento, certas coisas que nos fizeram no passado, não distante, para nos magoar assim tanto, alguns deixam-me numa certa nostalgia e constrangimento no pensamento, por saber, que embora sejam desabafos no momento que nos levam a escrever as mágoas dos nossos inquietantes pensamentos e por vezes, eles são tragicamente pessimistas não nos deixando ir além do nosso bloqueamento estático, e talvez também, por não haver alguém que esteja por perto e se aperceba do quanto estamos sozinhos mesmo no meio duma parada, e nos sentimos vazios, isolados do mundo exterior e carentes de afecto que obscura os nossos verdadeiros sentimentos. E haja alguém que se preocupe com o nosso vazio interior, e lhe dê um novo significado abrindo-nos outros caminhos. A solidão é tramada, mas necessária, mas quando essa solidão existe no meio da confusão, passa a ser preocupante, e não desejada, porque implica a nossa passagem despercebida ou simplesmente ignorada.

Ninguém tem culpa das nossas virtudes, ou da nossa arrebatadora paixão que nunca nos adormece, da nossa insatisfação por não nos entenderem, por necessitarmos e precisarmos de ser amados tal e qual como no primeiro encontro, que até sentimos o sangue fervilhar nas nossas veias devido à emoção, despendemos a nossa entrega fizemos escolhas e seguimos o nosso caminho, mas eles tornam-se em atalhos, as experiências da vida são isso mesmo, o amadurecimento do coração, quanto mais maduro ele seja, mais se envelhece a massa que nos envolve e o envelhecimento exterior do nosso corpo por muito jovens que sejamos por dentro, os espelhos não nos deixam enganar, não nos enganam, mas nunca estaremos suficientemente preparados para a desilusão... Por isso, proponho, acabemos com os espelhos a partir dos quarenta, acabemos com os falsos sorrisos e com os faz de conta. Para sermos sempre jovens até morrermos, porque a beleza de cada pessoa está precisamente no seu interior, e essa não se vê através dos espelhos, não se mostra aos outros de ânimo leve, terão de se predispor a explorar o nosso interior com verdade, sabedoria e amor para ver a beleza do nosso interior. Ou não...

O ser humano é de facto um ser magnífico, tem tanto de magnífico como de imprevisível, tanto nas suas virtudes como na sua inquietante malvadez, ora se ama, ora se detesta ou se odeia, é um desencadear de situações e conflitos esporádicos que nos levam a alterar o nosso comportamento, passamos a ser mais frios para aqueles que nos estão próximos, olhamos para o desconhecido com certa desconfiança, até voltar  a aparecer alguém que nos consiga quebrar essas barreiras de defesa que fomos criando ao longo da vida. São as passagens mornas que nunca nos deixam, e nos encorajam a   nunca desistirmos e  recomeçar tudo de novo até nos sentirmos purgados para enfrentar novas situações pelas quais já passámos antes. Mas arrebatamos sentimentos que nos levam a enfrentar outras perspectivas e novos horizontes, até que o brilho dos nossos olhos volte a deixar transparecer uma luz radiante.
Tudo é importante na vida, mas o mais importante será sempre a forma como nos sentimos, porque isso se reflectirá na nossa entrega e na nossa satisfação interior, assim como tudo o que façamos no dia-a-dia, se reflectirá no dia seguinte. Sejamos sempre jovens no pensar, na forma de entender o amor, a amizade e estejamos sempre atentos aos nossos reais sentimentos inesperados, que mudarão muitas vezes o significado à nossa vida, porque nada é constante e tudo é efémero. Os personagens vão mudando na peça, mas a história é e sempre será de enredo e amor!

publicado por Mário Feijoca às 01:52 | comentar | favorito