Circulos ou quadrados...

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Lições da civilização

A propósito de um comentário do Dr.  Xavier acerca dos benefícios individuais e colectivos do laissez faire e do livre-empreendorismo (neste caso norte-americano, e a geografia aqui não é de somenos importância), permitam-me citar de memória uma frase simples do maldito Louis-Ferdinand Céline: " Em 1500 anos de civilização, pediram-se duas coisas ao ser humano: aos homens que não fossem cobardes e às mulheres que não fossem putas.
Porquê? Por dois motivos simples e só aparentemente identificáveis: Primeiro, longe de querer discutir as virtualidades ou não da mão invisível, o verdadeiro promotor do "progresso" no país em causa foi a pesquisa bélica, fomentada com e por dinheiros "públicos", da qual o indíviduo foi beneficiário e "adaptador" via mercado das mesmas e portanto falamos etimologicamente na inovação polémica e caímos redondamente -quer se trate de guerras santas ou frias-, na guerra e nos 1500 anos de civilização (na qual obviamente, o "cobarde" não tem essencialmente lugar e onde a pretensa segurança foi garante do 1.º nível de burocratização ou estatização instalada).
Segundo, subsiste sempre nesta discussão uma superior moral (hipócrita e falsamente) saliente, na qual nem as meretrizes nem os prostíbulos (no sentido parasitário do termo), têm qualquer cabimento, a não ser pelo efeito da "mão invisível": não raras vezes os proclamadores ad infinitum apologistas do não intervencionismo e queixosos do excessivo do estado são apanhados concomitantemente agarrados à sua teta mais abundante.
Pergutem por exemplo ao ex-Ministro da Administração Interna, ao ex- Ministro das Finanças e ao Administrador não executivo da holding beneficiária do negócio siresp, o que se lhes ocorre dissertar sobre Céline, civilização, segurança e mão invisível.
Tanto num como noutro caso, o estado e o "bem comum" em evidência oclusa.
Uma última advertência para os livre-pensadores: parafraseando Ortega y Gassett, o estado só sou eu ou só somos nós -a "massa"-, na exacta medida em que se pode dizer que dois homens são idênticos porque nenhum dos dois se chama Dias. 

Atentamente
Rui Pedro Dias

Texto retirado daqui

publicado por Mário Feijoca às 21:16 | comentar | favorito