O Egoísmo

Se a Vontade nos direcciona, mesmo quando pensamos que somos donos do nosso próprio destino, não seria prudente ignorarmos que alimentamos, diariamente, ainda que não percebamos, o nosso egoísmo. Tendemos a descortina-lo, quando este se apresenta num grau em que todos notam e criticam. Por outro lado, somos inclinados, de maneira semelhante, a detectar o egoísmo alheio em contraposição à auto-indulgência com que nos avaliamos.

Schopenhauer, afirmando que o egoísmo tem raízes profundas na alma humana, considera:

"Dirigida toda a sua inteligência para a satisfação de suas aspirações, não compreende o indivíduo a necessidade do sacrifício nem se submete a ela quando é preciso que aja e se imole em benefício da espécie.

Segundo o filósofo, todo homem se considera o centro do mundo e avalia os acontecimentos de acordo com o próprio interesse. E se vivemos num mundo, onde o sofrimento prevalece em detrimento da alegria e do prazer, compreendemos, com grande facilidade, estes dizeres da filosofia schopenhauriana:

"O egoísmo, por natureza, é infinito; o homem deseja acima de tudo conservar sua vida livre de toda a dor e de toda contrariedade, desejando o maior bem-estar possível e a posse de todos os prazeres existentes, que se esforça por variar incessantemente."

Quando lemos os seus aforismos, percebemos quão pouco o homem foi capaz de desenvolver, ao longo dos séculos que percorreram a história da humanidade, atributos que amenizariam o fardo de qualquer existência. Infelizmente, somos obrigados a entrever a actualidade no seu pensamento:

"Chega a ser cómica, a convicção de tanta gente proceder como se só eles existissem na realidade, e os seus semelhantes não fossem mais que sombras e fantasmas.

ARTHUR SCHOPENHAUER

publicado por Mário Feijoca às 03:54 | comentar | favorito