Utopia

Já no início do século XIX o avanço do ideário liberal produzia crises e lançava os trabalhadores à miséria com a exploração de seu trabalho e precárias condições de vida. Decorrer sobre a excessiva carga horária de trabalho, uso de mão de obra infantil e condições de vida insalubres seria cair em lugar comum. Parto do pressuposto que isso já é claro.

Apesar de a Revolução Francesa ter consagrado o lema liberdade, igualdade e fraternidade, tinha-se claro que igualdade não existia numa sociedade tão dividida entre ricos e pobres. A liberdade que existia era a de mercado, com o burguês livre para explorar o trabalhador. Depois disso fraternidade entre as classes sociais seria piada. Movidas por essa decepção frente à Revolução Francesa e opondo-se a essa realidade, ao pensamento dominante e à estrutura da sociedade surgem questionamentos e questionadores. Uma corrente questionadora é a do socialismo utópico.

Utopia é o título de um livro do inglês Thomas Morus. Escrito em 1516 descreve uma sociedade ideal que possibilita igualdade e justiça para todos. Esse título passou a designar todo pensamento que defendesse a igualdade social, mas sem apontar claramente o caminho para se chegar a ela. Assim, não chegou a constituir uma doutrina, pois o que os utópicos pregavam eram modelos idealizados.

Apesar da inovação de pensamento e da percepção crítica dos socialistas utópicos, eles pecaram ao não aterem-se objectivamente ao modo de transformar a sociedade. Bolaram modelos sociais prontos espectaculares, porém como chegaríamos a eles? Acreditar que através da bondade do Estado ou das elites dominantes ou ainda por acções sem organização com atentados, como alguns propuseram, desconsiderando-se a participação efectiva da classe trabalhadora, é ingenuidade.

Assim, há o enorme valor dos socialistas utópicos, porém deixaram lacunas que o socialismo científico sobrepondo-se ao utópico viria a suprir.

publicado por Mário Feijoca às 19:09 | comentar | ver comentários (5) | favorito