27
Abr 05
27
Abr 05

Falte de espaço...

Não vou escalpelizar, mas a intranquilidade que sentia transformou-se numa angustia revoltada e insegura, tudo pelo simples facto, de ambicionar mais espaço, já que, me sentia sufocar, porém, como sempre, o egoísmo tomou-me conta do raciocínio levando-me a tomar atitudes despropositadas, mesmo para aqueles mais próximos, e que julgamos por vezes possuir o dom da simples e desnuda verdade. Desta vez, o balázio saiu na direcção errada, mas talvez justa, por se tratar de um tema onde a ausência por si só, era esperada, mas não desta forma. Acontecem casos inesperados, e longínquos do foro psíquico racional , que nem mesmo estando alcoolizado me passaria pela cabeça tal viesse a acontecer. Mas ao certo, ao certo mesmo, é que aconteceu aquilo que alguma vez eu suponharia vir a acontecer, e aconteceu, logo a mim. Passo a descrever onde tudo dá inicio, e toma o processo do desenvolvimento deste meu estado, meio atónico, e outro meio de perplexidade.
A intenção não era má, quando a ideia começou a germinar nos meus pensamentos, embora eu pudesse vir a beneficiar de alguma usurpação de espaço que tanto ambicionava. Então lembrei-me , vou arranjar uma noiva para o meu irmão... mas como? Mas claro, porque não me lembrei disto antes, e, que local apropriado  seria melhor do que no blogue, se assim pensei, melhor o levei adiante, mas as minhas intenções saíram goradas. Porque nenhuma  moçoila se disponibilizou para me dar esse prazer, de ir ao casamento do meu irmão  mais velho, como noiva deste. Que é uma jóia de rapaz, formado em politica internacional;  mas a timidez entrepunha-se entre a vontade e a necessidade, o que fazia com que eu visse longe a ocasião chegar.

Chego a casa já a noite ia alta, o silêncio pairava em toda a casa como sinal de que o dia tinha terminado, cansado, e sem grande apetite para jantar, vou em direcção à cozinha, quando tropeço na gamela do meu cão, e lá estava ele a abanar a cauda de contentamento,  por finalmente eu ter chegado a casa,  a fazer-se notado na sua presença para ver se eu não me esquecia  que também ele, fazia parte da família, fiz-lhe um festa nas orelhas, como gosta, lambeu-me as mãos e sentou-se há espera.
Estranhei por momentos o seu  comportamento, mas não lhe atribui demasiada importância, pois os próprios cães também  têm dias menos bem conseguidos do que outros, que por coincidência tinha sido o meu caso no dia de hoje.
Abri a  porta do micro-ondas para ver o que tinha para jantar, estranhei o seu interior, pois nele encontrava-se uma omeleta, ou qualquer coisa semelhante a isso, estava meio castanha e desfeita, que mesmo que estivesse com muito apetite, ele certamente se dissipava de imediato com tal aspecto. Optei por fazer uma tosta mista e beber um copo de leite frio.
De seguida dirijo-me para o escritório - e lá ia o Rex, todo contente de cauda a dar-a-dar  a acompanhar-me - ligo o pc, para ver se havia alguma mensagem importante digna de reparo, para depois me fazer em direcção aos lençóis, e descansar, apenas descansar. Engano o meu... abro o mail, e o primeiro que me salta logo à vista é um do meu irmão, que só por esse facto, é logo de estranhar, uma vez que se ele alguma vez me enviou em e-mail, muito sinceramente não me recordo. Li com toda atenção, recostei-me na poltrona, a pensar se aquilo seria alguma partida, debrucei-me novamente sobre o monitor, e reli aquilo que tinha acabado de ler. Que era nem mais nem menos o seguinte: - Mano, não te preocupes com a minha ausência, fui de férias por tempo indeterminado, depois quando estiver restabelecido, e com a minha vida normalizada darei mais notícias, por agora, é tudo o que te tenho a dizer, o resto saberás, certamente pela manhã. ou até antes, despeço-me com um forte abraço, e  não te precipites  em conclusões. Pensei, pronto uma coisa já estava explicado, que era o comportamento algo estranho, que eu tinha feito reparo por momentos, no Rex... E fui me deitar.

Quando fazia os preparativos para despir-me e finalmente me ir deitar, a minha querida mulher acorda, acende a luz do lado da cabeceira dela e diz : - António temos de conversar -  ao qual eu respondi, e tem de ser agora? - tem - diz ela, com uma voz apagada e quase sumida, que era completamente novo para mim tal a entoação. Bem, mediante todo o cenário desde que tinha chegado, por momentos até pensei que se realmente tinha entrado na minha casa, ou se seria alguma com as mesmas semelhanças, mas aí lembrei-me do Rex, e não havia a mínima  hipótese de tal ter acontecido, nem que para isso eu estivesse embriagado, coisa que era raro. - Pronto, se achas que é melhor ser agora, adianta lá, que já estou com formigueiro na curiosidade.  - Prepara-te, que o que eu vou dizer, não é nada agradável, nem para ti nem sequer para mim - bem pensei por momentos, mas em que filme é que eu estou metido (?), e aquilo que me veio ao pensamento não foi nada agradável de sentir, pois não sabia lidar com tal sensação por se tratar de algo inexplicável e totalmente novo para mim. - O teu irmão foi-se embora - já sei, deixou-me um e-mail - sim? e que dizia ele nesse e-mail? - Olha, que ia de férias e não sabia por quanto tempo - há foi? e foi só isso que ele te disse? não te contou mais nada, mesmo nada mais do que isso? - Não! Desembucha mulher, que já estou todo transpirado com a situação - é que o teu irmão foi de férias de facto, e com a minha mãe! - sim, e depois que mal tem? - que mal tem... óh  homem, que mal tem?
E a inocência, ou a despreocupada realidade própria do homem, que nestas situações parecem mais crianças à espera que lhe desembrulhem o brinquedo que lhe acabam de dar, para poderem acreditar que realmente aquilo que ali está é para ele. - Sim e depois que mal tem? - óh homem mas tu ainda não percebeste que o teu irmão foi se embora com a minha mãe para viverem juntos... - O quê? repete lá isso outra vez? É isso que acabaste de ouvir, o meu pai já aqui esteve, e também ainda não acredita tal como tu.

E eu, sorri por breves momentos, devido ao pensamento que me assolou de repente, não só por finalmente ter mais espaço, mas também como, pelo  retrato que eu tinha guardado na minha memória, que agora se encontrava amarelecido devido à marca do tempo, e que precisava de uma actualização mais fiel do original.
Não há duvida nenhuma, que o ser humano é de todos eles,  o ser dos mais imprevisíveis que existe ao cimo da terra. Que o diga o meu irmão.
Que grande meliante me saíste, então tinhas de arranjar logo a mãe da minha mulher, como cobaia para as tuas experiências emocionais...  Se tudo foi fruto de uma paixão envergonhada que se transformou num amor incontrolável... Não sei,  se te condene ou te observe melhor, e de mais perto para entender de uma forma mais lúcida o comportamento dos Homens, não sei mesmo... Porque tudo agora é novo para mim.

Então e eu agora? Fico sem sogra, porque a minha sogra agora é a minha futura cunhada. Logo, se o meu irmão e a minha cunhada ainda tiverem possibilidades de terem filhos, eu serei o tio do irmão ou irmã da minha mulher, e a minha mulher tia da sua própria irmã ou irmão. Nesta arvore genealógica da vida,  vai haver um ramo ou um tronco fora de sitio onde se encontra normalmente, fixado pela lei dos homens conforme a entendemos, e pela sua própria lei da natureza. O que nos obriga a traçar um percurso obliquo-o da própria natureza, e da sua moralidade conforme a conhecemos e entendemos.
Pelo menos para mim!
A minha sogra, a minha sogra. Ela de facto não é nada de se jogar fora (como o macho latino costuma dizer das mulheres de beleza superior)...
É uma mulher muito interessante, tanto física como intelectualmente, com uma cultura elevada, e bastante independente tanto  na forma de pensar, como na de estar, digamos que é daquelas pessoas com quem dá gosto conversarmos. É uma mulher que ronda,  na casa dos cinquenta anos, mas de uma beleza fora do comum, que lhe incute uma jovialidade que em nada se afasta da do meu irmão, que tem trinta e oito anos. Para vos situar melhor no tipo de mulher que é a minha ex-sogra, é assim como uma  Greta Garbo da actualidade ou uma Grace Kelly. É  de facto daquelas mulheres que qualquer homem sensato gostaria de ter, e ao mesmo tempo fugiria para bem longe dela por pensar que se tratasse, não da mão de obra  divina, mas mais próximo de uma discípula de Satanás.
Agora digam-me, posso condenar o meu irmão pelo facto de se ter apaixonado de verdade por uma mulher com tais dotes? Inteligente, doutorada em literaturas portuguesa e francesa, nascida no seio de uma família brasonada e herdeira de uma das maiores fortunas nacionais.
Talvez devido à sua inocência emocional, ou quiçá em busca do perfeccionismo que sempre o motivou, como ser, e como homem o levasse a ter tal atitude. Foi a prenda que se calhar, o meu irmão sempre esperou  que o destino lhe proporcionasse um dia... E talvez tenha sido aquela prenda que por um lado, esperou confortavelmente na sua paciência jovial, e por outro, que quando ela lhe surgisse à frente a tivesse evitado constantemente  de a desembrulhar, como acontece a uma criança.

Greta GarboGrace Kelly

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência, por se tratar de uma história fictícia, que nunca teve lugar, além  da sua própria origem, fidedigna se ter desenvolvido na  minha  imaginação. Porque se na realidade, eu tivesse uma sogra possuidora de tais atributos, quem fugiria com ela não seria o meu irmão, mas sim eu....

publicado por Mário Feijoca às 05:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
22
Abr 05
22
Abr 05

Amarras Soltas...

As amarras soltaram-se
deram a liberdade ao povo
que outrora conquistara mares
nunca antes navegados
hoje já resignado
olha para o passado
com amargura e saudade

Recordam-se datas
homenageando-as com foguetes
feriados cheios de pompa
relembram passados já distantes
onde verdades se escondem

Entre bandeiras hasteadas
ao vento das amarguras do povo
a conquista não acabou, nem morreu
que esta juventude desconhece
e nem entende estas conquistas

...como sendo as suas
mas apenas dos seus pais!

É preciso relembrar
liberdades conquistadas
com tanques e G3's
entre sangue não derramado
Salazar já estava morto

Marcelo e Tomás depostos
a liberdade conquistada
fruto de sacrifícios
dos nossos pais e avós
que sofreram em silêncio
nas caves da amargura
presos e torturados, sonharam
na juventude a viver em liberdade

Madrugada abençoada essa
que o povo perdeu o medo
com as fardas dos seus filhos
derrubou a ditadura
alcançou a liberdade

Nessa madrugada de Abril
só calhou a vinte cinco ao acaso
é preciso não deixar morrer
e recordar esta data... deste caso
fazei vivê-la todos os dias
A bem da liberdade

O espírito da conquista alcançada
reclamação dos nossos direitos
sempre nesta abençoada liberdade

As amarras já se soltaram…
vivemos em liberdade!
Que outras conquistas nos trarão


Christine Scwärzler, Grenzenlose Freiheit (A liberdade)

publicado por Mário Feijoca às 18:37 | comentar | ver comentários (3) | favorito
20
Abr 05

Amor[...]Ódio

Muito se escreve e pensa  sobre o amor, rios de tinta se estenderam para encontrar o seu verdadeiro sentido, sem sentido algum... O verdadeiro significado no sentimento do amor é simples e recomenda-se. Mas todos evitam abordar o que poderá fazer o sentimento do ódio, que muitas vezes traz  à tona muito mais verdades do que simples mentiras. O amor e o ódio são energias acumuladas, que precisam ser canalizadas numa direcção harmoniosamente conjugada, os seus bornes terão sempre de ser de duas fazes opostas, negativo e positivo, se se ligarem positivo com positivo, ou negativo com negativo, nunca funcionam, a lógica será e o mais certo serão,  não fazer nada mais para além de um grande curto-circuito, provocando um grande apagão nas nossas consciências

publicado por Mário Feijoca às 22:42 | comentar | favorito
20
Abr 05

As luzes da Ribalta (...) e o fumo branco

Não sei se será que os portugueses têm fome,  e ambicionam estar nas luzes da ribalta com qualquer figura pública que floresça aos olhos do mundo como uma individualidade de prestígio internacional, seja ela nas artes, na medicina ou no futebol, isto é um facto indesmentível, temos fome de protagonismo, isso deve-se muito à falta de estímulos, onde estacionamos no suficientemente medíocre. Nos últimos dias assistimos nos tablóides de todos os diários, como quase certo o cardial português ser o escolhido para suceder a João Paulo II, todavia as escolhas foram noutro sentido e quanto a mim sobejamente reconhecido e uma boa escolha.  Embora se tivesse sido escolhido um compatriota meu ficaria duplamente satisfeito, mas parece-me, que no Vaticano ainda desconhecem os poderes mágicos que um apito dourado pode fazer, e então cai por terra aquilo que já todos apregoavam um certeza, são os exageros do nosso querido povo, em tudo, ou quase tudo; apenas faltou engalanar todas as janelas do país com a bandeira nacional. Talvez por descuido isso não aconteceu;  Mas como a classe, sobejamente reconhecida internacionalmente como uma classe justa e imparcial nas avaliações de qualquer acontecimento, estou a falar da nossa classe jornalística, deu o seu ar de graça com as centenas de artigos nos jornais diários, que a escolha recairia sobre o nosso estimado Cardial Dom José Policarpo, ou será que as fontes jornalísticas oriundas de Itália eram insuficientes e escassas para um previsão como certa? É um velho habito nacional darem sempre por adquirido qualquer evento onde estejamos bem posicionados, com foguetes e festa antes do resultado final, já nos fomos habitando a esse pressagio...

O Cardial Josephe Ratzsinger, foi uma escolha mais que justa, apenas peca pela idade já avançada, de resto, foi e é uma individualidade com provas dadas do seu humanismo e preocupação constantes das adversidades no mundo, assim como um grande religioso que se tem encontrado sempre perto de Deus para alterar as filosofias cristãs a uma abertura mais condizente com o mundo actual em que todos vivemos. Foi uma boa escolha, desejo-lhe as maiores felicitações e que dure o suficiente para poder valer as suas preocupações num sentido de valorizar e alterar alguma coisa desajustada na Igreja  Católica Apostólica Romana, tal como a conhecemos hoje.

publicado por Mário Feijoca às 01:11 | comentar | ver comentários (3) | favorito
17
Abr 05

Contemplação...

Hoje admirei o mar e toda a sua transcendental beleza, as ondas igualavam os movimentos das ervas das mais perfeitas planícies. O azul do mar transparecia toda a sua liberdade, tamanha esta que me deu vontade de mergulhar e transformar-me num ser anfíbio e poder percorrer livremente toda a sua imensidão.
As arvores crescem sozinhas, não têm ponta de vergonha de se desnudarem no Outono, umas depravadas, umas oferecidas, e por aí...
Sonhei com os corais, com polvos e com baleias amigáveis. Todos os seres reagiam de forma surrealista, isto tendo em conta que eu sou um humano, ou não era, interrogo-me.
A lenha que queima na fogueira jamais criará folhas, os frutos, pois..., esses jamais serão seu filhos, filhos da árvore abatida.
 
O mar enrolava na areia, por vezes debatia-se contra algum rochedo, uma verdadeira luta de séculos, quem a ganha é o mar. Ou talvez não fosse luta, talvez fosse um trabalho de um escultor impressionista, obras abstractas que só as entende quem mais abstracto for.
De entre as florestas saiem gritos e gemidos, à quem diga que são ramos a roçarem uns no outros, eu digo mesmo que são carícias.
De repente acordo para a vida, tudo não passa da minha imaginação, hoje só vi urbanizações e automóveis, computadores e cabos eléctricos. O que interessa é que no meio disto me abstraí e vi a beleza no meu cérebro.
publicado por Mário Feijoca às 21:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
17
Abr 05

Uma comunidade de amigos da net

O é uma comunidade online que conecta pessoas através de uma rede de amigos confiáveis.
Proporcionamos um ponto de encontro online com um ambiente de confraternização, onde é possível fazer novos amigos e conhecer pessoas que têm os mesmos interesses.
O orkut é exclusivo, porque é uma rede de amigos confiáveis que cresce de forma orgânica. Assim não cresceremos tanto, nem tão rapidamente, e todo mundo terá pelo menos uma pessoa que garante sua idoneidade.

Se você conhecer alguém que já é membro do orkut, essa pessoa poderá convidá-lo a participar também. Se você não conhece ninguém, dê um tempo, em breve vai ficar conhecendo.

Será um prazer tê-lo como membro do orkut.

<input ... >

publicado por Mário Feijoca às 05:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito
16
Abr 05
16
Abr 05

O Cavalo e o Leão


O Leão viu andar o Cavalo comendo num outeiro, e cuidando em que maneira  faria que lhe  esperasse para o matar, chegou-se de mansinho e com palavras amigos, dizendo que era médico, se queria que o curasse. O cavalo, que o conheceu e entendeu, disse com dissimulação:
- Em verdade, vens, amigo a bom tempo, que eu tenho neste pé um estrepe de que estou maltratado. Chegou-se o Leão a ver-lhe o pé, e o Cavalo o levantou e lho assentou nas queixadas, em modo que ficou embaraçado; e tornando em si, vendo o Cavalo, disse:
- Por certo que fez bem em me ferir e ir-se, pois eu queria come-lo e não cura-lo.

Esopo

publicado por Mário Feijoca às 00:24 | comentar | ver comentários (3) | favorito
15
Abr 05
15
Abr 05

Onde é que pára a cultura?..

9338047_c886a794db.jpg
    ex-libris da tugoesfera
    
 
Uma cadeia de literatura surgiu na blogosfera portuguesa - o ex-libris da tugosfera -por iniciativa do barrie de the pink bee, a 7 de março, seguida pelo guy do non tibi siro conferindo-lhe o sabor do sul da europa. Como até mim esse testemunho não chegou, roubei-o à Moriana - quanto não se tem gato caça-se com rato.. "Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas, os livros só mudam as pessoas" Mário Quintana
 Recolha do testemunho aqui S.F.F.
    
   
 Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
    
1984 de George Orwell - uma metáfora do mundo que estamos inexoravelmente construindo
    
    
   
 Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
    
Acho que já várias personagens me fascinaram, enumera-las todas, tinha que estar aqui a pensar, e agora não me apetece faze-lo - Apenas direi que gostei muito da interpretação de Michel Pfeifer em "A mulher falcão" de Jonh Schlesinger
    
    
   
 Qual foi o último livro que compraste?
    
Os Movimentos Na Pintura - Patricia Fride-Isabelle Marcadé
    
    
   
 Qual o último livro que leste?
    
O último que acabei foi "Contos Outra Vez" - Luísa Costa Gomes
    
    
   
 Que livros estás a ler?
    
Tenho sempre vários ao pé da cama: Neste momentos estou a terminar "O som  e a Fúria" William Faulkner, E a começar a ler "Um Estranho em Goa" de José Eduardo Agualusa
    
    
    
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
   
 
O Compromisso -  Elia Kazan, A Ilha Fantástica - Germano Almeida
A poesia do grande Al Berto, José Agostinho Baptista e talvez uns quantos mais, dependendo de quantos dias iria lá ficar...

    
    
   
 A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
    
Ótilia , pela sua dedicação aos sentimentos e ao amor, à amizade e também a muita loucura...
Fernando, pela inspiração que o atraiçoa de vez em quando, assim como pela forma que ele vê e entende o amor
Luís, porque tem uma particularidade muito interessante, na maneira como vê e entende o mundo através da poesia
publicado por Mário Feijoca às 06:39 | comentar | ver comentários (6) | favorito
13
Abr 05
13
Abr 05

Organizar a desorganização

Vou descansar um pouco para poder trabalhar, durante alguns dias vou ter de pôr tudo em ordem, como tal não vou postar nos tempos mais próximos para me poder organizar profissionalmente, terei de arrumar a casa, o pc, lavar o cão o gato e o periquito que já andam um pouco sujinhos, e sobretudo fazer muito amor com a minha querida mulher para ela não dizer que só tenho olhos para o computador.
 Dar mais atenção aos meus queridos gémeos para ser um pai às direitas e eles não terem muito por onde se queixar, até virem para o computador, quando isso acontecer, quem se vai queixar serei eu, senão comprar mais três computadores.
 Mas até lá, embora o tempo ande sempre depressa demais do que aquilo que a gente deseja, eles também só tem trinta meses, mas não nos podemos distrair. E finalmente descansar destas coisas dos hobbis blogueiros.
 
 Não sei se consigo resistir ao afastamento porque estou completamente viciado em blogs, mas tenho de me organizar, isso sem dúvida, digamos que vou distribuir as horas do dia para as diversas tarefas, o que me obriga a fazer uma planificação inteligente e usufruir de tudo aquilo que de facto eu gosto e amo. Será também um teste à minha perseverança organizativa.


 
 Deposito-me todo  em ti
 toda a minha lealdade
 na esperança feroz
 de a conseguires conservar.
 Dou-te toda a minha vida
 para dela fazeres
 o que te apetecer, e quiseres...
 
 Apenas pretendo sonhar
 com todo o amor que me dás

publicado por Mário Feijoca às 02:12 | comentar | ver comentários (2) | favorito
11
Abr 05
11
Abr 05

Acordar para o sonho...

 

De noite, no meu quarto, quando não estás, dispo-me dos objectos que me rodeiam, fecho os olhos e adormeço com um beijo teu a delinear imagens nas paredes; há o ritmo quente das sensuais melodias que brilham e dançam nos teus olhos, há o exotismo de todas as ilhas do Índico que perfumam e desenham a tua pele, há a energia de todas as marés vivas de vida que se agitam crepitando-te no peito, há o vulcão de flores selvagens que fervilha incandescente nas tuas mãos.

A alvura das paredes é substituída por todo o mundo que inventas com os lábios, os fios de sol, que enfeitam a tua voz, pintam quadros surrealistas de cores e prazer no espaço entre a cama onde repousam os meus sonhos e o espelho onde te revejo. Arde-me a pele por dentro. Procuro a taça de água em cima da mesa de cabeceira, transformou-se num vaso de pétalas tuas, e é por ele que bebo incendiando-me, é com elas que alimento o fogo azul-violeta que me consome e mantém acordado.

É nestes momentos que recordo o teu sorriso e sinto a poesia explodir no peito. Mas nada posso escrever sobre esse sorriso que usas naquela hora nocturna, que apenas nós conhecemos, se com ele desaparecem todas as coisas. Gostava de escrever-lhe um poema, mas, para isso, era preciso que não desaparecessem todas as flores do mundo nos teus lábios, que não se evaporassem da memória o mar e os reflexos de sol no orvalho matinal da primavera acabada de nascer.

Limito-me por isso, a procurar nas palavras que escrevo, a justificação para não ter nunca comparado o teu sorriso a uma onda que se espraia na areia quente de verão, ou a um navio a desenhar sonhos nas águas calmas de um rio - porque não chegam, porque escrever a única metáfora digna desse sorriso, seria reunir toda a beleza do mundo num só verso e repeti-lo infinitamente nos teus olhos, porque, recordar esses momentos, é preencher toda a alma contigo e nada sobrar para os versos.

Mais sereno, acendo o candeeiro que trago na alma e permito que toda a tua luz se estenda até ao mais escondido cantinho de mim. Envolvo-me nos lençóis de ternura que me ofereces todos os dias, pouso a cabeça sobre a almofada onde me confesso e peço às paredes do meu quarto que me protejam de te perder. Antes de adormecer, retiro a tua recordação do meu espírito, deito-a ao meu lado, segredo-lhe baixinho os sonhos que quero sonhar e beijo-a um segundo. Fecho os olhos e acordo para o sonho.

publicado por Mário Feijoca às 18:21 | comentar | ver comentários (2) | favorito