05
Abr 05

Sonhos perdidos

Mãos que escrevem
sonhos relevantes
mãos que acariciam
caras de ilusões
corpos arqueados
pelo peso de quimeras
sonhos desfeitos em tristezas.

Sombras de presentes já passados
verdadeiros e envenenados
futuros de incertezas
em corpos já arqueados
longe dos tempos da beleza
juventudes ilusórias
cresceram em corpos engelhados
já gastos pelo tempo.

Ilusões de desfeitas perdidas
apaixonadas mágoas de outrora.

Vinde a mim corpos
ondulantes esbeltos e perfeitos
que já não me lembro da juventude
vinde e preenche-me a sede
com o teu corpo
para poder recordar
esta minha juventude.

Vinde suas caras malvadas
apaziguar esta minha dor
que me destrói e consome
por não poder-vos, voltar a ter.

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publicado por Mário Feijoca às 22:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
05
Abr 05

O Egoísmo

Se a Vontade nos direcciona, mesmo quando pensamos que somos donos do nosso próprio destino, não seria prudente ignorarmos que alimentamos, diariamente, ainda que não percebamos, o nosso egoísmo. Tendemos a descortina-lo, quando este se apresenta num grau em que todos notam e criticam. Por outro lado, somos inclinados, de maneira semelhante, a detectar o egoísmo alheio em contraposição à auto-indulgência com que nos avaliamos.

Schopenhauer, afirmando que o egoísmo tem raízes profundas na alma humana, considera:

"Dirigida toda a sua inteligência para a satisfação de suas aspirações, não compreende o indivíduo a necessidade do sacrifício nem se submete a ela quando é preciso que aja e se imole em benefício da espécie.

Segundo o filósofo, todo homem se considera o centro do mundo e avalia os acontecimentos de acordo com o próprio interesse. E se vivemos num mundo, onde o sofrimento prevalece em detrimento da alegria e do prazer, compreendemos, com grande facilidade, estes dizeres da filosofia schopenhauriana:

"O egoísmo, por natureza, é infinito; o homem deseja acima de tudo conservar sua vida livre de toda a dor e de toda contrariedade, desejando o maior bem-estar possível e a posse de todos os prazeres existentes, que se esforça por variar incessantemente."

Quando lemos os seus aforismos, percebemos quão pouco o homem foi capaz de desenvolver, ao longo dos séculos que percorreram a história da humanidade, atributos que amenizariam o fardo de qualquer existência. Infelizmente, somos obrigados a entrever a actualidade no seu pensamento:

"Chega a ser cómica, a convicção de tanta gente proceder como se só eles existissem na realidade, e os seus semelhantes não fossem mais que sombras e fantasmas.

ARTHUR SCHOPENHAUER

publicado por Mário Feijoca às 03:54 | comentar | ver comentários (2) | favorito