24
Mai 05
24
Mai 05

Poema de Nietzsche

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VOCAÇÃO DE POETA

Ainda outro dia, na sonolência
De escuras árvores, eu, sozinho,
Ouvi batendo, como em cadência,
Um tique, um taque, bem de mansinho...
Fiquei zangado, fechei a cara -
Mas afinal me deixei levar
E igual a um poeta, que nem repara,
Em tique-taque me ouvi falar

E vendo o verso cair, cadente,
Sílabas, upa, saltando fora,
Tive que rir, rir, de repente,
E ri por um bom quarto de hora.
Tu, um poeta? Tu, um poeta?
Tua cabeça está assim tão mal?
- Sim, meu senhor, sois um poeta,
E dá de ombros o pica-pau.

Por quem espero aqui nesta moita?
A quem espreito como um ladrão?
Um dito? Imagem? Mas, psiu! Afoita
Salta à garupa rima, e refrão.
Algo rasteja? Ou pula? Já o espeta
Em verso o poeta, justo e por igual.
- Sim, meu senhor, sois um poeta,
E dá de ombros o pica-pau.


Rimas, penso eu, serão como dardos?
Que rebuliços, saltos e sustos
Se o dardo agudo vai acertar dos
Pobres lagartos os pontos justos.
Ai, que ele morre à ponta da seta
Ou cambaleia, o ébrio animal!
- Sim, meu senhor, sois um poeta,
E dá de ombros o pica-pau.

Vesgo versinho, tão apressado,
Bêbada corre cada palavrinha!
Até que tudo, tiquetaqueado,
Cai na corrente, linha após linha.
Existe laia tão cruel e abjecta
Que isto ainda - alegra? O poeta - é mau?
- Sim, meu senhor, sois um poeta,
E dá de ombros o pica-pau.

Tu zombas, ave? Queres brincar?
Se está tão mal minha cabeça
Meu coração pior há de estar?
Ai de ti, que minha raiva cresça!
Mas trança rimas, sempre - o poeta,
Na raiva mesmo sempre certo e mau.
- Sim, meu senhor sois um poeta,
E dá de ombros o pica-pau.

Friedrich Nietzsche

publicado por Mário Feijoca às 19:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito
16
Mai 05
16
Mai 05

Fases...

Tens fases como a lua
 umas vezes andas escondida
 outras, te passeias pela rua...
 Perdes-te entre as ruelas escuras
 mesmo sendo dia ainda,
 não deixas de estar sozinha.
 
 Entre as tuas diferentes fases
 que vêm e vão como relâmpagos
 no teu calendário secreto,
 astrólogo o inventou mesmo sem tempo,
 para não perderes as fases do dia
 não procures o sitio onde me encontro,
 porque estou onde sempre estive,
 será sempre, ao pé de ti se tu quiseres...
 
 Gira a solidão em torno de ti
 o tempo escasseia para nosso uso
 não te encontres com mais ninguém
 porque tens as fases da lua...
 E quando chegar esse dia de ser teu
 já não é o dia de seres minha
 porque esse dia já se passou
 o outro dia se escondeu...

publicado por Mário Feijoca às 01:20 | comentar | ver comentários (3) | favorito
13
Mai 05
13
Mai 05

Lixos existenciais

Se é verdade que a cada dia basta a sua carga,
por que então teimamos em carregar para o dia seguinte
nossas mágoas e dores?
Há ainda os que carregam para a semana seguinte, o mês seguinte e anos afora...
Nos apegamos ao sofrimento, ao ressentimento,
como nos apegamos a essas coisinhas ...
que guardamos nas nossas gavetas, sabendo inúteis,
mas sem coragem para jogar fora.
Vivemos com o lixo da existência,
quando tudo seria mais claro e límpido com o coração renovado.
As marcas e cicatrizes ficam para nos lembrar da vida, do que fomos,
do que fizemos e do que devemos evitar.
Não inventaram ainda uma cirurgia plástica da alma,
onde podem tirar todas as nossas vivências e nos deixar como novos.
Ainda bem.
Não devemos nos esquecer do nosso passado, de onde viemos,
do que fizemos, dos caminhos que atravessamos.
Não podemos nos esquecer nossas vitórias,
nossas quedas e nossas lutas.
Menos ainda das pessoas que encontramos,
essas que direccionaram nossa vida, muitas vezes sem saber.
O que não podemos é carregar dia-a-dia, com teimosia, o ódio, o rancor,
as mágoas, o sentimento de derrota.
Acredite ou não, mas perdoar a quem nos feriu dói mais na pessoa
do que o ódio que podemos sentir toda uma vida.
As mágoas envelhecidas transparecem no nosso rosto
e nos nossos atos e moldam nossa existência.
Precisamos, com muita coragem e ousadia,
abrir a gaveta do nosso coração e dizer:
Eu não preciso mais disso,
 Isso aqui não me traz nenhum benefício e eu posso viver sem.
E quando só ficarem as lembranças das festas,
do bem que nos fizeram, das rosas secas,
mas carregadas de amor,
mais espaço haverá para novas experiências, novos encontros.
Seremos mais leves, mais fáceis de ser carregados
Mesmo por aqueles que já nos amam.
Não é a expressão do rosto que mostra o que vai dentro do coração?
De coração aberto e limpo nos tornamos mais bonitos e atractivos
e as coisas boas começarão a acontecer.
Luz atrai, beleza atrai.
Tente a experiência!...
Sua vida é única e merece que, a cada dia, você dê uma chance para que ela seja rica e feliz.!


Repassando belo texto de : Letícia Thompson retirado daqui

Creio, que possivelmente é para não nos esquecermos que os dias continuam, não vale de nada fazer as coisa às pressas só para dizermos que as fizemos... É bem preferível guarda-las para o dia seguinte porque nos evita ter de emendar o que fazemos sempre há pressa e mal feito. É como as paixões que vêm num relâmpago e se diluem num abrir e fechar de olhos... No amor, ele vem de mansinho tomando cada dia que passa o seu próprio espaço, aninhando-se e criando consistência que enlaçam a intemporalidade... Como dizes, e muito bem, de "coração aberto  limpo nos tornamos mais bonitos e atractivos e as coisas boas começam a acontecer". A luz atrai tudo... Não se pode viver eternamente nas trevas, porque depois os nossos olhos não suportarão a luz!

comentário

publicado por Mário Feijoca às 01:36 | comentar | favorito
11
Mai 05
11
Mai 05

Amor do Tempo

 Distante vai o tempo já gasto
 desde que te conheci
 passeava a mão nos teus cabelos,
 quando te beijava estremecia
 
 Os teus belos cabelos loiros
 hoje já prateados p'lo tempo
 que não nos perdoou
 esta nossa pele já gasta
 que o destino nos beijou
 
 Restando-nos este amor firme
 neste  longo já nosso caminho
 abraçámos mutuamente nossas vidas
 nestes corpos já ressequidos
 mantivemo-nos sempre unidos
 
 Tudo abandonou e nos esqueceu
 envelhecidos na amargura da pele
 deste tempo, que por nós passou,
 em nada  nos perdoou só tu e eu
 
 Apenas o nosso amor ficou
 sempre igual nos acompanhou
 nesta nossa longa caminhada
 esta paixão ainda não findou
 
 Sentimos o mesmo amor
 só o tempo nos atraiçoou.
 
 Hoje olhamos para trás
 nessa mesma direcção
 lembramos com graça
 os beijos que trocámos.
 
 Carícias que hipotecámos
 corpos já esquecidos da beleza
 mas nada conseguiu derrubar,
 a estrutura deste amor nos uniu
 
 Beijava-te e estremecia
 como se ainda fosse hoje
 quando sinto os teus abraços
 tudo o que a vida nos levou
 Apenas nosso amor  ficou!

publicado por Mário Feijoca às 21:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
08
Mai 05
08
Mai 05

Conversa de Gatos...

iStockPhoto.com
Copyright: Cathleen Carrigan

[...]

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<P align=center><IMG height=316 alt=iStockPhoto.com src="http://pwp.netcabo.pt/arquinorma/img_blogs/gato.jpg" width=350 border=0><BR><SPAN style="FONT-SIZE: 90%">Copyright: <B>Cathleen Carrigan</B></SPAN></P><P>[...]</P><P align=justify - Em contrapartida, vocês não gostam muito que vos olhemos fixamente...<br>- Quando rebenta um conflito entre dois gatos, aquele que ocupa a posição dominante fixa o outro e o gato vencido desvia o olhar. Trata-se de um comportamento que encontrarás na maior parte dos felinos. Sendo assim, imagina o que os vossos olhos são para nós: enormes e impressionantes!<BR>- Não tinha pensado nisso. Mas gostas ou não de ficar à minha frente, olhos nos olhos?<BR>- Quando estás tranquilo e relaxado e falas comigo docemente, sim. Mas se por acaso eu fiz alguma asneira e o ambiente se torna tenso, o teu olhar torna-se terrível. Aí tenho medo, só penso em fugir desses olhos que me querem magoa, e então, esgueiro-me, escondo-me, viro rapidamente as costas ou corro a esconder-me sob um armário.<BR>- Pois sim, o que fazes é amuar!<BR>- Não senhor! Tento é evitar esse olhar que parece uma brasa!<BR>- Vou acabar por acreditar que tenho origens sul-americanas...</P><P align=right><SPAN style="FONT-SIZE: 95%">in<B> «Palavra de Gato», </B>Robert de Laroche</SPAN></P>
publicado por Mário Feijoca às 01:52 | comentar | ver comentários (2) | favorito
07
Mai 05
07
Mai 05

...A sorte de uma criança.

 

Doces crianças indefesas
entregues ao seu próprio destino
rostos entristecidos pela sua sorte
puras e ingénuas na sua naturalidade
que não reconhecem
sequer a maldade que lhes fizeram
apenas sentindo a dor na sua pele

Caras esbofeteadas pela revolta
por ainda serem crianças
maltratadas espezinhadas
escorraçadas e violadas
pelos seus progenitores

Que lhes negam o direito do amor
gente malvada que não tem sentir
nem ver
O amor no rosto de uma criança
negando-lhes a sua dignidade
ainda em tenra idade
roubando-lhes a própria vida
por razões inexplicáveis

Gente sem escrúpulos
discípulos de Satanás
sem direito, a este ar que respiram
que mal poderá fazer uma criança
para receber tal sorte
de ser espancada até à morte

Rosto de criança apavorada
pela dor da violência infligida
no seu corpo frágil de tenra idade
sem conseguir fugir das mãos rudes
do seu carrasco, rendendo-se à sua morte

Que sorte malvada, a destas crianças
que não chegam a crescer
para ver a crueldade desta gente
que não merece viver
lhes negando o direito à vida
como a qualquer criança
que sorte esta, doce criança!?

Formar cidadãos com alto grau de responsabilidade social, capazes de transformar informação em conhecimento, utilizando adequadamente talentos humanos e tecnologias avançadas, promovendo resultados crescentes à sociedade. Evitando que as crianças sejam maltratadas e humilhadas pelos pais - Homenagem a todas as  crianças vitimas de maus tratos. </font></font>

publicado por Mário Feijoca às 00:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
06
Mai 05
06
Mai 05

Família peculiar...

Um rapaz saía com uma rapariga judia e queria casar-se com ela, para isso precisava da autorização do pai. Ao ir a casa dela o pai explicou-lhe:

Nos somos judeus e temos uma forma peculiar de fazer as coisas. Se te quiseres casar com a minha filha tens que passar uma prova. Toma esta maçã e volta amanhã.
-O tipo saiu alucinado de casa. No dia seguinte voltou.

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<P>Um rapaz saía com uma rapariga judia e queria casar-se com ela, para isso precisava da autorização do pai. Ao ir a casa dela o pai explicou-lhe:<BR><BR>Nos somos judeus e temos uma forma peculiar de fazer as coisas. Se te quiseres casar com a minha filha tens que passar uma prova. Toma esta maçã e volta amanhã.<BR>-O tipo saiu alucinado de casa. No dia seguinte voltou. <BR<<BR>Muito bem ,disse o pai, que fizeste com a maçã?<BR><BR>Comi-a. Tinha fome. <BR><BR>Vês! Muito mal. Nós judeus descascamos a maçã e com a casca fazemos um delicioso licor. Partimos em duas e damos metade aos pobres e a outra repartimos com a nossa família. Metade das sementes vendemos no mercado e a outra metade, quando tivermos mais, plantamos. Já viste como somos? <BR><BR>Bom, vou-te dar outra oportunidade. Toma este chouriço e volta amanhã. <BR><BR>-O tipo saiu um pouco lixado e voltou no dia seguinte. <BR<<BR>Então, que fizeste com o chouriço? <BR><BR>Com o fio fiz uns cordoes para os meus sapatos, com a etiqueta (chapa) fiz uma coisinha para por no fio da sua filha. Parti o chouriço a meio e em rodelas e metade dei aos pobres e a outra metade reparti com a família.<BR<<BR> Muito bem! E que fizeste com a pele?<BR><BR>Com a pele fiz um preservativo e mandei uma queca na sua filha e trago-lhe aqui o leite para fazer um galão!</P>
publicado por Mário Feijoca às 05:51 | comentar | favorito
05
Mai 05
05
Mai 05

O toque

O amor é como uma caução
que se dá e tira com a mesma mão
senão existir alguma compreensão
o amor nasce quase sempre
de muito pouco, ou mesmo nada
mas pode-nos dar tudo
se o bem soubermos alimentar
amar com a mesma simplicidade
da fusão de dois corpos
se transformando num só
ao compasso mesmo fora de tom

dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó

o amor é como uma canção
ao compasso do próprio tom

 

publicado por Mário Feijoca às 02:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
03
Mai 05
03
Mai 05

Só Pessoa...

Fernando Pessoa havia escrito, com apenas sete anos de idade, estes versos para a mãe:

"Eis-me aqui em Portugal,
Nas terras onde eu nasci,
Por muito que goste d'ellas,
Ainda gosto mais de ti.


Como resposta, três anos mais tarde, Maria Madalena respondeu:

Escuta
 
Dedicado "ao meu Fernando"

És muito criança ainda
Decerto não sabes bem
O valor que deves dar
Ao santo affecto da Mãe!
Queremos muito aos nossos filhos
Todos têm igual direito,
Por todos o coração
Pulsa igualmente no peito.

Todos têm o seu lugar
E são elles tão iguais,
Que no coração da mãe
Todos elles são rivais.
São rivais do mesmo affecto,
Amados com o mesmo ardor,
P'ra todos, igual desvello,
P'ra todos o mesmo amor!

Para todos a Deus pedindo
Com fé igual e anceio,
O futuro é um mystério
O presente é um receio!
Tal é a ancia constante
Que deste amor se alimenta,
Queremos um mar de bonança
Sem um dia de tormenta.

Quando chegares a saber
d'este affecto a intensidade,
Se eu já não for deste mundo
Sentirás funda saudade!
E se um dia tiveres filhos,
E uma esposa carinhosa
Que te torne a vida bella
E aches tudo côr de rosa,
Vendo o amor com que ella
Os seus filhinhos aninha,
Dirás: 'santo amor de mãe
Também era assim a minha!'

E n'esse grito a tu'alma
Nem dôce affecto tributa
Àquela que já não vês,
Mas que de longe te escuta!
E essa justa saudade
Que tu sentes tão intensa
Será do meu santo amor
A sagrada recompensa!"</font>

publicado por Mário Feijoca às 23:53 | comentar | ver comentários (3) | favorito
02
Mai 05
02
Mai 05

Mondrian

Este desenho, Rapariga a escrever de 1892-95, é um daqueles em que Mondrian
retratou as modelos do atelier como se fossem figuras da vida real.
Enquanto nos estudos do seu professor, August Allebé, elas apareciam como bailarinas ou actrizes, para Mondrian a modelo transforma-se numa camponesa com touca e avental engomados, que parece escrever com dificuldade.
É um cenário antigo e idílico, parte da sua orientação pelos valores tradicionais.
O desenho é tão nítido, repare-se na posição dos membros em ângulo recto, como é simples.
 

 

publicado por Mário Feijoca às 22:44 | comentar | favorito