28
Jun 05
28
Jun 05

Galileo

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

 

António Gedeão

(Obrigada Leonor)

publicado por Mário Feijoca às 20:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
24
Jun 05
24
Jun 05

Galileu Galileia

Matemático, astrónomo e físico Italiano, Galileu nasceu em Pisa em 1564 e morreu em Arcetri (perto de Florênça) em 1642.
É considerado o fundador do método experimental. Descobriu a lei da aceleração uniforme da queda dos corpos e a lei do isocronismo das pequenas oscilações do pêndulo, entre outras, tendo conseguido traduzi-las matematicamente. Publicou a obra Tratado das Esferas. Tendo ouvido falar da invenção do telescópico, Galileu desenvolveu um método de ajuste de lentes que lhe permitiu construir e usar esse instrumento na observação astronómica. Graças a essa adaptação, constatou que a superfície da Lua não era plana, como se supunha, mas irregular, observou que a Via Láctea era composta de estrelas, e observou e nomeou os Satélites de Júpiter.
As observações que publicou em Sderius Nancius foram muito criticadas pelos astrónomos ligados  às ideias de Cláudio Platomeu. Galileu abraçou publicamente a teoria copernicana de um universo heliocêntrico e de uma Terra móvel, o que lhe valeu numerosas críticas, nomeadamente por tais noções serem contraditórias àqueles presentes na Bíblia. Por esse motivo, Galileu foi julgado e condenado em 1633, e teve abjurar perante a Inquisição.
Cerca de 400 anos após a sua condenação à morte, o Papa João Paulo II ajoelhava ao seu túmulo, na Igreja de Stª Cruz, em Florença, num acto de humildade, reconhecendo publicamente e em nome da Igreja Católica, a injusta condenação a que Galileu tinha sido sujeito. Mais sobre Galileu  é em geral considerado fundador da ciência moderna.

publicado por Mário Feijoca às 17:28 | comentar | ver comentários (4) | favorito
23
Jun 05
23
Jun 05

políticos sem [ Pedeegre ]

Lusitânia minha, Portugal meu

O que nos andam a fazer
nem eles sabem bem, o quê...
quando um dia se fizer história
pouco haverá para recordar
porque a tristeza será medonha
para poder ser recordada

Destes nobres charlatães
que hoje nos mentem e enganam
enchem-se como uns glutões
nada haverá para salientar
a não ser...

A miséria a aumentar.
E o défice, que nos fez afundar!

publicado por Mário Feijoca às 04:22 | comentar | ver comentários (2) | favorito
20
Jun 05
20
Jun 05

As suas vozes

Podes descarregar em formato MP3 as vozes de todos os  poetas e narradores em Espanhol. O formato em MP3 dá uma qualidade similar. Simplesmente escolhe no menu abaixo qual o autor/que  queiras descarregar.</font>

 

 

</td> 

publicado por Mário Feijoca às 17:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
16
Jun 05
16
Jun 05

ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

 

Eugénio de Andrade

Adeus companheiro, ficarás sempre presente nas memórias desta pátria que é   PORTUGAL

publicado por Mário Feijoca às 20:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
15
Jun 05
15
Jun 05

Diferenças de ver e ser...

Hás vezes basta pôr os dedos nesta posição para observar melhor alguma coisa que nos passa despercebido, sem apontarmos o dedo a nada, assim como, nas feridas que tardam em sarar. Nem atrapalhar o percurso que traçamos, convínhamos, alertar aqueles mais distraídos que este é o nosso espaço, e teremos ocasiões suficientes de o preservar na sua mais legitima condição natural.
É bom pararmos para pensar na imensidão de tantas imagens deste género, que nos obrigará a reflectir apaziguando a nossa condição humana, e que nos desviamos constantemente das coisas simples da vida, contrabalançando-nos entre o ser e o estar.  Vivemos apenas por viver, sem nos dar conta e tempo para olhar o que de mais belo existe, além de usufruirmos da terra a que todos nós somos donos, um pouco!..
Se nos preocupar-mos mais com imagens como estas, talvez saibamos avaliar melhor a condição humanamente tortuosa que nos inquieta diariamente, não nos deixando agir livremente no espaço e no tempo, deste percurso insidioso, que muitas vezes nos obrigam a viver em condições desumanas, senão na própria pele, certamente seremos contíguos a elas, por muito que desviemos forçosamente o olhar, as imagens não deixam de existir, elas estão lá, só que não as vemos porque  somos coniventes, com a própria miséria que há no mundo.
E somos também, uns fortes candidatos responsáveis por não contribuirmos mais de forma consciente, a ele se tornar melhor para todos nós. E cuja culpa nunca morrerá solteira, comecemos por mudar alguma coisa em nós, e tentemos unir esforços contribuindo de modo a nos obrigar a reflectir, e retirarmos ilações da própria crise que existe no mundo actual que faz desta aldeia global um lugar horrível para se viver, não escapando os culpados e os inocentes deste trama entrelaçada em que se vive, subjugados pelo poder daqueles que o possuem. Daremos algum tempo, escasso talvez, na direcção da nossa própria extinção, senão soubermos cuidar melhor do nosso quintal. Afim de se formar desinteressadamente uma prevenção unitária que não realce aquilo que melhor a gente sabe fazer, chorar. Porventura convínhamos também não esquecer e para começar, excluirmos do nosso vocabulário aquele velhíssimo ditado: "quando a esmola é grande, o pobre sempre desconfia". Porque com imagens como estas, nenhum humano no mundo teria o direito a ser pobre. Ou pelo menos não deveria...

Diferenças não podem ser consideradas como dificuldades de harmonia nos relacionamentos. As diferenças são salutares para compreendermos que há muitos modos de ser. Cada pessoa é única, Não é por acaso que as pessoas entram nas nossas vidas. Nada é por acaso, tudo segue uma ordem oculta, que os olhos mais atentos conseguem perceber. Permita que as “coincidências” lhe mostrem o caminho. Momento em que percebes com clareza o que falta para tornar as relações equilibradas. A harmonia não é algo que se atinja subitamente; é uma construção paciente que considera as diferenças individuais propiciadoras de crescimento.

publicado por Mário Feijoca às 04:09 | comentar | favorito
10
Jun 05
10
Jun 05

Esta é o máximo!

Começou a música e um bêbado levantou-se cambaleando e
dirigiu-se a uma senhora de preto e pediu:

- Hic... Madame, dá-me o prazer dessa dança?
 
 E ouviu a seguinte resposta:
 
  - Não, por quatro motivos:
 Primeiro, o senhor está bêbado!
 Segundo, isto é um velório!
 Terceiro, não se dança o Pai Nosso!
 E quarto porque "Madame" é a p... que o pariu. Eu sou o
 padre!

publicado por Mário Feijoca às 04:22 | comentar | ver comentários (4) | favorito
06
Jun 05
06
Jun 05

Unbeleaveble

Reclamação à NETCABO

 

Venho pelo presente e-mail apresentar a minha reclamação dos vossos serviços. Tendo já me dirigido ao balcão netcabo de Almada, expondo o caso em epígrafe:

 

1º - Recebo carta de aviso de débito dia 3 de Junho para ser levantada por meio de transferência bancária exactamente no mesmo dia.

 

2º - O consumo apresentado é completamente descabido e irreal, basta consultar os quadros de consumo habituais para o verificar.

Se o tráfego internacional é ilimitado a partir da 1h/manhã até às 7/horas, só um “ignorante” faria o tipo de consumo apresentado fora desse horário.

 

3º - Reportando-me aos Mb’s apresentados, num total de 12.049, mesmo estes, não foram tarifados devidamente pelo valor de 0,015 mas sim pelo dobro. O que daria um valor de 180,74€ e nunca os 497,66€ apresentados, uma vez que possuo o MEGA 4.

 

Ora, verificando tal disparidade como poderei alguma vez acreditar nas competências dos vossos quadros técnicos superiores? Mas não obstante os erros, que eventualmente todos nós temos direito, gostaria de saber como é que é medido os consumos apresentados, porque se existe um tarifário por meio de contador, o cliente também terá forçosamente de ter acesso a ele, e não apenas sujeito a informação por e-mail, veja-se o caso dos serviços da EDP ou dos SMAS… Para que não hajam dúvidas, todos temos um contador para controlarmos os nossos gastos. Nunca podendo ocultar tal serviço.

 

4º - Aguardo resposta urgente, pretendendo regularizar a situação; mais informo que me vi obrigado a cancelar no banco as transferências, assim como pretendo se não for solucionado dentro de um espaço de tempo razoavelmente admissível, reclamar junto da justiça, porque apesar de lenta ainda acredito nela, ou pelo menos quero acreditar.

publicado por Mário Feijoca às 22:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito