29
Set 05
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Set 05

Origem Feminina

Existem várias lendas sobre a origem da Mulher. Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma de suas costelas e com ela fez a primeira mulher. E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e aguentar o seu mau humor, enquanto ele convalescia da operação. Uma variante desta lenda diz que Deus, com seu prazo para a Criação estourado, fez o homem às pressas, pensando “Depois eu melhoro”, e mais tarde, com tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou Mulher, que é “melhor” em aramaico.
Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro, e caprichou nas suas formas, e aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o homem só para não deitar barro fora.
Zeus teria arrancado a mulher de sua própria cabeça. Alguns povos nórdicos cultivam o mito da Grande Ursa Olga, origem de todas as mulheres do mundo, o que explica o facto das mulheres se enrolarem periodicamente em pêlos de animais, cedendo a um incontrolável impulso atávico, nem que seja só para experimentar, na loja, e depois quase desmaiar com o preço.

Em certas tribos nómadas do Médio Oriente ainda se acredita que a mulher foi, originariamente, um camelo, que na ânsia de servir seu mestre de todas as maneiras foi se transformando até adquirir sua forma actual.
No Extremo Oriente existe a lenda de que as mulheres caem do céu, já de kimono. E em certas partes do Ocidente persiste a crença de que mulher se compra através dos classificados, podendo-se escolher idade, cor da pele e tipo de massagem. Todas estas lendas, claro, têm pouco a ver com a verdade científica.

Hoje já se sabe que o Homem é o produto de um processo evolutivo que começou com a primeira ameba a sair do mar primevo, e é o descendente directo de uma linha específica de primatas, tendo passado por várias fases até atingir o seu estágio actual e aí encontrar a Mulher, que ninguém ainda sabe de onde veio. É certamente ridículo pensar que as mulheres também descendem de macacos. A minha mãe, não!

Uma das teses mais aceitáveis sobre o papel da mulher na evolução do homem é a de que o primeiro encontro entre os dois se deu no período paleolítico, quando um homo sapiens mas não muito, chamado, possivelmente, Ugh, saiu para caçar e avistou, sentado numa pedra, penteando os cabelos, um ser que lhe provocou o seguinte pensamento, em linguagem de hoje: ”Isso é que é mulher e não aquilo que tenho na caverna”. Ugh aproximou-se da mulher e, naquele seu jeito, deu a entender que queria procriar com ela. ”Agh maakgrom grom”, ou coisa parecida. A mulher olhou-o de cima a baixo e desatou a rir.
É preciso lembrar que Ugh, embora fosse até bem apessoado pelos padrões da época, era pouco mais do que um animal aos olhos da mulher. Tinha a testa estreita e as mandíbulas pronunciadas e usava gordura de mamute nos cabelos. A mulher disse alguma coisa como “Você não me vai desamparar a loja, não?” ou: "Vai-te mas é esconder fedorento" e afastou-se, enojada, deixando Ugh desolado.
Antes dela desaparecer por completo, Ugh ainda gritou: “Espera uns 10 mil anos para veres!”, e de volta à caverna admoestou seus companheiros a aprimorarem o processo evolutivo.

Desde então, o objectivo da evolução do homem foi o de proporcionar um par à altura para a mulher, para que, vendo o casal, ninguém dissesse que ela só saía com ele pelo dinheiro, ou para espantar meliantes. Se não fosse por aquele encontro fortuito em alguma planície do mundo primitivo, o homem ainda seria o mesmo troglodita desleixado e sem ambição, interessado apenas em caçar e catar seus piolhos, e um fracasso social.

Mas de onde veio realmente a primeira mulher, já que podemos descartar tanto a evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a criação?
Inclino-me para a tese da origem extraterrestre.

A mulher viria (isto é pura especulação, claro) de outro planeta. Venho observando-as durante anos - inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto - e julgo ter coleccionado provas irrefutáveis de que elas não são deste mundo. Observei que elas não têm os mesmos instintos que nós, e volta e meia são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no que fazer para o jantar. Têm uma lógica completamente diferente da nossa. Ultimamente têm tentado dissimular a sua peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e fazendo coisas - como dirigir grandes empresas e insultar a mãe do motorista ao lado - impensáveis há alguns anos atrás, o que só aumenta a suspeita de que se trata de uma estratégia para camuflar as nossas diferenças, que já estavam a começar a dar nas vistas, com tanta evidência.

Quando comentamos o facto, nos acusam de ser machistas, presos a preconceitos e incapazes de reconhecer seus direitos, ou então roçam a nossa nuca com o nariz, dizendo coisas como “ioink, ioink” que nos deixam arrepiados e sem argumentos. Claramente combinaram isto. Estão sempre combinando maneiras novas de impedir que se descubra que são alienígenas e têm desígnios próprios para a nossa terra.
É o que fazem, quando vão, todas juntas, ao banheiro, sabendo que não podemos ir atrás para ouvir. Muitas vezes, mesmo na nossa presença, falam uma linguagem incompreensível que só elas entendem, obviamente um código para transmitir instruções do Planeta Mãe. E têm seus golpes baixos. Seus truques covardes. Seus olhos laser, claros ou profundamente escuros, suas bocas. Meu Deus, algumas até sardas no nariz. Seus seios, aqueles mísseis inteligentes. Aquela curva suave da coxa, quando está chegando no quadril, e a Convenção de Genebra não vê isso!

E as armas químicas - perfumes, loções, cremes. São de uma civilização superior, o que podem nossos escapes contra os seus exércitos de encantos? Brevemente dominarão o mundo. Muito breve saberemos o que elas querem. Se depois de sair este artigo, eu for encontrado morto com sinais de ter sido carinhosamente asfixiado, como um sorriso, a minha tese está certa. Se nada me acontecer, é sinal de que a tese está certa, mas elas não temem mais o desmascaramento.

O que elas querem, afinal? Se a mulher realmente veio ao mundo para inspirar o homem a melhorar e ser digno dela, pode ter chegado à conclusão de que falhou, que este velho guerreiro nunca tomará de premeio. Continuaremos a ser mulheres com defeito, uma experiência menor num planeta inferior. O que sugere a possibilidade de que, assim como veio, a mulher está pronta a partir, desiludida connosco.
E se for isso que elas conspiram nos banheiros? A retirada? Seríamos abandonados à nossa própria estupidez. Elas levariam as suas filhas e nos deixariam com caras de Ugh. Posso ver o fim da nossa espécie. Nossos melhores cientistas abandonando tudo e se dedicando a intermináveis testes com a costela, depois de desistir da mulher sintética. Tentando recriar a mágica da criação. Uma mulher, qualquer mulher, de qualquer jeito!

Prometemos que desta vez não as decepcionaremos!
Uma mulher! Como é que se faz uma mulher?

Texto adaptado


Jay Ouellet, Moon River

publicado por Mário Feijoca às 23:25 | comentar | ver comentários (8) | favorito
25
Set 05
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Set 05

25. Um dia especial...

</em>Estávamos no Outono, as árvores iam-se despindo das suas folhagens amarelecidas, para se vestirem depois com nova folhagem verde e viçosa para enfrentarem um Inverno frio e chuvoso que se avizinhava. Era assim sempre o seu ciclo de vida.
Longe vai o tempo em que o homem vivia junto às linhas de água sem grandes  preocupações de defesa. Agora os tempos eram outros. O antigo inimigo, a fome, foi delegada para segundo plano. Agora o maior inimigo do homem é o próprio homem.

Encontrava-me sentado num banco do jardim de fronte para o mar. O dia estava agradavelmente ameno, que me senti tranquilamente bem naquele local em que não havia quase ninguém a não ser as gaivotas a voar e os veículos a passar na marginal. Coloquei o livro que estava a ler de lado (Vida para além da morte),sobre o banco junto ao meu corpo.
Fixei o olhar ao rio na sua natural inquietação formando pequenas ondas a deslizar sobre a água, e observei atentamente as folhas a cair das árvores até chegar ao chão e a serem levadas pelo vento.
E assolou-me o pensamento; porque é que a nossa vida não se renovaria como as folhas das árvores no Outono...
Peguei no livro, levantei-me e fui caminhando devagar até encontrar uma florista, para comprar quatro dúzias de rosas vermelhas, para oferecer à Maritó, pois ela fazia anos nesse dia.
Cheguei a casa, a Marió ainda estava deitada, bonita como sempre, apesar de apresentar um ar cansado. Olho para ela, sorrindo e digo-lhe:

- Tome meu amor, e parabéns por mais um aniversário. - Estendi-lhe as rosas vermelhas, conjuntamente com um beijo nos seus lindos lábios.

- Oh meu amor, como você sempre me conseguiu seduzir!

- Não meu amor, eu nunca a seduzi, apenas nunca a quis perder, é só isso meu bem...

Com aquele seu lindo ar tranquilo a que já me tinha habituado, mesmo se encontrando ainda deitada depois de uma noite dormida, estava sempre sedutoramente bonita. Com aquela expressão no olhar que erradia felicidade de uma mulher que sempre se tinha sentido adorada e amada.

- Obrigado meu eterno amante...

Caminhei até junto da escrivaninha que se encontrava  por baixo da janela que se situava no quarto. Abri uma das suas gavetas e retirei do seu interior um jornal dobrado em quatro partes, já amarelecido pelo passagem do tempo, desdobrei-o e olho para a data da sua edição e leio, seis de Janeiro de mil novecentos e oitenta e um, já tinham passado quarenta e oito anos.
Levanto-me para ir à toilette e ouço o condor dizer: ó filho, agora já não me incomoda nada as tuas vindas ao banheiro, porque já estamos os dois velhos e cansados.

.... / /....

</span></font>FIM

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Os homens da forma como eu os conheço, é natural que, muitos possivelmente, não tenham gostado desta história, mas a minha intenção também não foi escrever direccionado a eles. Mas sim, a namorar com todas a mulheres que nunca tenham sentido o amor intenso da entrega.  Por que vocês, são de facto a minha fonte inspiradora aliada a uma enorme admiração pela vossa coragem, dedicação e pela vossa beleza interior. Nunca admitam, ser tratadas como simples objectos de prazer, exijam sempre ser amadas sem limitações. E sobretudo nunca tenham a tentação de proporcionar ensejo a errar, mostrem sempre os vossos verdadeiros desejos, sejam verdadeiros mesmo que vos custe a separação, porque a carne é fraca, mas pior do que isso é negarem a possibilidade de ainda poderem vir a ser felizes. É muito mais doloroso a traição do que a verdade que se esconde por trás dela, e a resignação é uma porta larga à tristeza e há desilusão. Mas a vida sem vós, não teria sentido nenhum, e eu de certeza que não existiria, mesmo que fosse possível eu nascer, recusava-me a viver. Sejam felizes!

publicado por Mário Feijoca às 00:23 | comentar | ver comentários (4) | favorito
24
Set 05
24
Set 05

24. A curiosidade do colega...

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Cheguei ao atelier, por volta das 09;40h, já todos se encontravam presentes, daí ter sido o último a chegar. Cumprimentei o pessoal da mesma forma habitual.  O Raul, um colega meu dirige-se-me com modos espalhafatosos como lhe era já característico e pergunta-me.
 
- António mas que te aconteceu homem ?
 
- Então porquê Raul? O que é que eu tenho de diferente para fazeres essa pergunta homem? - Rindo-me por o ter imitado nesta parte.
 
- Ora, a tua cara, a tua cara está diferente só isso, que se passa?
 
Passando com uma das mãos na face como que a procurar algo  de estranho, fazendo uma expressão de apreensão...
 
- Bom, estás com uma expressão que conhecendo-te ao tempo que te conheço nunca lhe a tinha visto. Saiu-te por ventura a lotaria, ou não queres dizer?
 
Esbocei um sorriso e de uma maneira impensada respondo.
 
- Melhor! Meu amigo, muito melhor...
 
- Melhor? com essa agora é que me estás a intrigar, então conta lá,. vá...
 
- Raul contenta-te com a minha cara, porque quanto ao resto apenas direi que já te respondi. Simplesmente me sinto satisfeito nada mais. Ou também não posso?
 
- Ó pá, se isso é uma expressão de satisfação, eu devo ser com certeza o pai natal. Os teus olhos brilham de uma maneira que quase me encandeiam só de olhar para ti,  e tu dizes satisfeito... Satisfeito?
 
-Vá, vamos mas é trabalhar que ainda há muito que fazer hoje, antes que me  apeteça encher os pulmões de ar e gritar com todas as minhas forças e mandar tudo às urtigas... Tu és tramado não te escapa nada. Mas olha só, fica-te com a minha alegria e não perguntes mais nada. OK?
 
- OK, ok! Já me fui embora... E dá um grito ouvindo-se na rua: - O António está apaixonado!!! Ele está apaixonado, ele estás mesmo apaixonado... 
 
Começando a correr e a dançar pelo sala, como se lhe tivessem dito que estava "passado no teste". O que colocou todo a gente a rir à gargalhada. Tornando-se engraçada a sua manifestação.
Em todos os locais de trabalho existe sempre um cromo como o Raul, que por ser um individuo alegre fazendo sempre à mínima oportunidade todos rir;  mas com um coração de manteiga sem maldade absolutamente nenhum. Aquilo que se costuma dizer na gíria, um "bacana", um gajo "fixe". Era isso que ele era, uma amigo do seu amigo!
 
Mas porque raio é que eu tenho de estar aqui hoje?...
Este pensamento levou-me a divagar por sítios inimagináveis... Não há a mínima dúvida que a natureza humana é extremamente complicada. Não foi para isto que a gente nasceu, não pode ser só isto, e nem sequer estávamos predestinados a tanto sofrimento, alguma coisa no nosso processo de evolução deveria ter corrido mal, para isto acontecer, não vejo outra forma de a entender. De quem terá sido a culpa de mudar o rumo das coisas, na sua evolução, contrariando a lei natural da vida? Se a própria vida seria muito mais simples, e muito menos complicada, não havendo tantas opções que nos baralham e confundem os nossos sentidos; sendo tão básicas, as nossas necessidades para nos manter vivos! Depois destes pensamentos a atordoarem-me o cérebro, apenas encontro uma explicação. É que à medida que o homem ia sofrendo o seu desenvolvimento, e a sua inteligência inventando e descobrindo novos utensílios de forma a ajudá-lo a facilitar as suas tão primárias tarefas de sobrevivência, os dias cada vez se foram tornando maiores. Dado que até aqui a sua única ocupação, era unicamente a caça para se alimentar e aproveitar as peles para se  cobrir com elas para se proteger do frio. Depois de o fazer, ficaria o resto do dia sem mais nada com que se ocupasse, a não ser cobrir a sua fêmea e dormir. Sofrendo de algum tédio, e assim,foi arranjando tantas tarefas para se ocupar ao longo do dia, que passou a fazer parte de uma obrigação, inventando descobrindo e fabricando artesanalmente, que surgiu o trabalho como hoje o entendemos. Isto é uma maneira muito simplificada de demonstrar que o ser humano é mesmo um ser muito complicado; porque era um ser tranquilo que tinha tudo, e hoje passou a um ser intranquilamente obsessivo que não terá nada... Mas aqui, julgo que o principal motivo que transformou o homem, foi o próprio amor, transformando-o num guerreiro para defender a sua fêmea, dado que a queria só para ele, e aí o seu desenvolvimento originou o sentimento do ciúme naturalmente. Criando-se assim um homem austero, bruto e convencido de que era invencível. Estes são os predicados essenciais que tornam o homem machista transpondo-o aos dias de hoje, em que cada vez, têm menos espaço na nossa sociedade para se movimentarem, precisamente, por já não habitarmos em cavernas e assim como, a mulher foi ficando cada vez mais culta e  inteligente ganhando a sua própria  independência. Actualmente elas já não os suportam, por isso, eles estão mesmo em vias de extinção!
 
A componente de um romance entre um homem e uma mulher que se acabam de conhecer é sempre uma incógnita, nunca existindo duas situações iguais.
Quando ele acontece, estamos a ser sistematicamente observados e de certa forma a sermos comparados ao seu amante anterior; ele(a) nunca me disse isto assim; ele(a) nunca me beijou desta forma, ou nunca foi tão educado assim... Etc, etc! Estas sintéticas comparações só desaparecerão quando o amor os preenche na sua totalidade e deixará de existir o sentido comparativo, porque agora o seu amante anterior é apenas e só o actual!
 

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Quando uma mulher tem de escolher entre dois amantes, um dos quais esteve anteriormente ligado a ela, enquanto o outro é um estranho, os Acharyas (homens sábios) defendem que é preferível o primeiro porque, sendo já o seu temperamento e o seu carácter conhecidos através de uma prévia e cuidadosa observação, mais fácil se torna contentá-lo e satisfazê-lo. Todavia, penso que um antigo amante que tenha já gasto uma grande parte dos seus bens não pode ou não deseja voltar a especular grandes somas, pelo que é tão digno de confiança. Casos particulares, diferentes desta regra geral, podem no entanto surgir, em consequência das diferenças entre as índoles dos homens.

 

 

publicado por Mário Feijoca às 01:50 | comentar | ver comentários (4) | favorito
23
Set 05
23
Set 05

23. Regresso casa...

Image hosted by Photobucket.comTransportámos os livros em direcção ao seu quarto, subimos as escadas na brincadeira, rindo e fazendo expressões de contentamento pela companhia um do outro. Depois de ela os arrumar, descemos novamente as escadas, e fomos sentar-nos no sofá de pela cinzenta, que se encontrava na sala. Cinzento era precisamente aquilo que este dia não tinha sido... Ela interrompe-me os pensamentos e pergunta:

- António eu vou beber um copo de leite natural, você também quer que lhe traga um? E fica comigo esta noite, não fica?

- É exactamente isso que eu bebo antes de ir para a cama E já não fazia intenção de sair daqui a não ser depois de dormir... Bebemos o copo de leite juntos um ao outro, coloca-me a mão na minha perna para concluir a sua pergunta.

- Eu sei, já me tinha respondido concordando, apenas quis reforçar o meu desejo novamente. - E vamos os dois caminhando para a casa de banho, para cada um fazer a sua higiene e de seguida irmos descansar e dormir, Pois teríamos de nos levantar cedo de manhã, para irmos  trabalhar.
O acontecimento deste magnífico dia iria ficar gravado na minha memória para sempre. Existe sempre um destes dias reservados nas nossas vidas, que mudará inquestionavelmente o seu rumo.  Ninguém tem culpa das suas virtudes, ou das arrebatadoras paixões inesperadas  que nunca adormecem na nossa satisfação,  entendermos com o desconhecido que nos arrebata é uma tarefa que passará a fazer parte de nós.  Necessitamos e precisamos de ser amados tal e qual como no primeiro encontro, despendemos a nossa entrega, fazemos escolhas e seguimos o nosso caminho às cegas, mas o amadurecimento do coração cada vez vai ficando com menos espaço para entender os sentimentos que nos envolvem de um momento para o outro. Teremos sempre que valorizar as situações e nos predispor a explorar o nosso interior com verdade, sabedoria e amor, para ver a beleza do nosso interior que só os outros que nos ama vêm e nos ajudam a crescer...

Distante vai o tempo já gasto
desde que te conheci
passeava a mão nos teus cabelos,
quando te beijava estremecia

Os teus belos cabelos loiros
hoje já prateados p'lo tempo
que não nos perdoou
esta nossa pele já gasta
que o destino nos beijou

Restando-nos este amor firme
neste já longo caminho
abraçámos mutuamente nossas vidas
nestes corpos já ressequidos
mantivemo-nos sempre unidos

Tudo abandonou e nos esqueceu
envelhecidos na amargura da pele
deste tempo, que por nós passou
em nada  nos perdoou, só tu e eu

Apenas o nosso amor ficou
sempre igual nos acompanhou
nesta longa caminhada
esta paixão ainda não findou

Sentimos o mesmo amor
só o tempo nos atraiçoou.

Hoje olhamos para trás
nessa mesma direcção
lembramos com graça
os beijos que trocámos.

Carícias que hipotecámos
corpos já esquecidos da beleza
mas nada conseguiu derrubar,
a estrutura deste amor nos uniu

Beijava-te e estremecia
como se ainda fosse hoje
quando sinto os teus abraços
tudo o que a vida nos levou
Apenas nosso amor  ficou!


Ela despe-se, ficando apenas de lingerie bicolor vermelha e preta, que ainda lhe fazia sobressair mais as formas esbeltas do seu corpo. Na minha cabeça vai-se desenvolvendo um desejo enorme de a possuir novamente, mas o meu corpo não o permitiria porque já tinha cumprido a sua função não me dando hipóteses para  mais leviandades neste dia.

E deitámo-nos abraçados, bem juntinhos um ao outro, e assim  ficámos até ela não resistir ao cansaço e adormeceu. Fiquei a olhar para ela até adormecer também.

publicado por Mário Feijoca às 01:21 | comentar | ver comentários (2) | favorito
22
Set 05
22
Set 05

22. Na praia ao luar...

Sentámo-nos bem juntinhos na areia e ficámos aí durante algum tempo em silêncio absorvidos nos nossos intransponíveis pensamentos. Cada um abraçado às suas pernas como que para as segurar do cansaço.
 Olhávamos para o céu a observar a lua na sua perfeita e brilhante beleza enigmática, com a sua sabedoria sobre o próprio amor. Quantas vezes a lua não testemunhou o amor eterno,  e outros tantos momentos fugazes da paixão diluir-se no tempo sem deixar qualquer rasto de amor. Existem situações nas quais a continuidade é impossível existir porque não se lhe ajustam. Foi neste preciso pensamento que me deparei com a velocidade da nossa relação, perguntando a mim próprio, que irá ser de nós a partir daqui, se pouco ou nada sei a respeito desta mulher. Apenas sei, que tomou conta de mim neste meu estado mais puro de emoção, emblemático sentimento que é o amor. Sorri com este meu pensamento e olhei para ela, fazendo-lhe uma carícia nos seus cabelos seguida de um beijo na sua face. Ela encosta a sua cabeça ao meu braço e começa a chorar baixinho...
 
 - Então minha querida, de que propósito vem esse choro agora, precisamente nesta altura tão tranquila em que ficámos absorvidos na nossa própria paz interior?
 
 - Oh, António, meu querido, não fui capaz de conter as lágrimas por esta felicidade que senti e me descontrolou a emoção, pela carícia que me acabou de dar. Você nem imagina o que ela significou para mim, neste exacto momento...
 
 Puxei dum lenço para lhe limpar as lágrimas, mas antes, encostei os meus lábios aos seus olhos e bebias para deixarem de lhe escorrer pela face.
 Levantamo-nos, pois os nossos corpos já estavam a arrefecer do frio que se fazia sentir, apesar da época, a noite, até nem se poderia dizer que estivesse muito fria. Mas não teria bem a certeza disto, porque o sangue que circulava nas minhas veias, aquecia-me o corpo talvez originado por todo o calor que tinha sentido... Fomos caminhando a passos lentos, de  passeio, com o braço envolto nos seus ombros como um casal tranquilamente absorvido pelo sentimento amoroso. Ela parou junto do passeio para se calçar, e de seguida direccionámos ao sitio onde se encontrava o seu carro para irmos novamente para sua casa. No carro, durante o percurso até chegarmos, mantivemo-nos em silêncio, como com receio de incomodar os pensamentos um do outro. Chegámos entretanto ao nosso destino com a sensação de estarmos a ser observados... Revelava-se completo o desejo. e esse desejo, que fosse, talvez, nascido de olhar despovoado mas voado o espírito prisioneiro que sempre fosse querido, desorganizado neste corpo dirigente vou desmantelando o sonho, como se de átomo se tratasse, e não o corpo que fosse na sua simples silhueta, vejo o mundo a que ainda pertenço. A lua olhava para nós; como dizendo, então e agora? A Maritó responde como se tomasse o lugar dela.
 
 - António, ainda tem o jornal desta manhã? Se o tiver dê-mo que eu quero guarda-lo para sempre...
 
 - Tenho sim, minha adorada amiga... Amiga, que acabou de me roubar a alma, neste corpo sem dor, preenchido apenas com o seu amor!
 
 - Isso é para tentar-me seduzir António? Já não vai a tempo, porque você já me seduziu há muitas horas atrás!
 
 Proferiu estas palavras sempre de frente para mim a olhar-me fixamente nos olhos.
 Eu encosto os meus lábios na sua testa, e deixo fugir um beijo de ternura simbolizando respeito e devoção. Beijo os seus carnudos e quentes lábios, apertando-a junto ao meu corpo.
 
 - Mas Maritó, nunca me cansarei de a seduzir, porque você é o elixir que me dá vida para viver eternamente dentro do meu corpo..
 
 - Obrigada António, você é tão terno que me assusto só de pensar que algum dia o poderia vir a magoar! - Riu-se timidamente esquivando o olhar, e conclui  - Vá, agora vamos justificar o pretexto que nos trouxe até aqui. Ou já se esqueceu?
 
 - Os livros, os livros que você me pediu para ajuda-la a transportá-los, e que ainda estão aqui dentro desta mala... - Apontado para o carro.
 
 - Isso mesmo!.. Vamos colocá-los no meu quarto e depois, fecho a porta à chave para não o deixar sair...
 
 E rimo-nos! Rimo-nos, como duas inocentes crianças.

 

 Leonard Cohen Ouvir 

publicado por Mário Feijoca às 17:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
21
Set 05
21
Set 05

21. Toilette do restaurante...

Fecho a porta, encosto-a à parede e beijo-a de forma impensada na tentativa de lhe desabotoar a camisa para olhar aqueles seus lindos seios. Acaricio-os e beijando os seus mamilos, de seguida, deixo cair as calças de forma a satisfazer o condor dos seus desejos. Ambos estávamos em sobressalto pela aventura que levávamos a cabo, o que proporcionou uma excitação acrescida. Abro-lhe as calças, mas dado o nervosismo, foi ela que concluiu a tarefa... A nossa carne toca-se sentindo o seu calor, naquela posição incómoda a penetração foi infrutífera, utilizo outra estratégia para nos facilitar e acalmar o nosso nervosismo. Baixo a tampa da retrete, sento-me de maneira a ela se sentar em cima das minhas pernas, frente um para o outro. Beijo os seus seios novamente, acaricio-os, seguindo os seus lábios e a penetração deu-se sem o mínimo de esforço. Apertámo-nos um contra o outro, naquele vai-e-vem, incómodo e atingimos o orgasmo num silêncio que nos fazia quase explodir pela  asfixia que sentíamos. Seguindo-se risos quase bloqueados, mas os nossos rostos irradiavam  toda a satisfação estampada. Saímos um a seguir ao outro, com segundos de intervalos,  sem que ninguém se apercebesse. Chegamos junto da nossa mesa e sentamo-nos, para de seguida pedir a conta. Ao que ela diz com um sorriso inquiridor...
 
 - António você... tem uma forma  muito peculiar e sobretudo, louca de amar! Contudo, fez-me sentir um enorme prazer pelo facto de ser mulher... E a sua loucura abraçou o meu instinto.
 
 - Não Maritó, você é que é a responsável com toda a sua beleza que deixa fazer soltar-se o louco adormecido que habita em mim, é você, você é que é a responsável sem sequer se dar conta daquilo que me está a fazer...
 
 Entretanto, chegámos à parte menos agradável de todo o dia magnífico que partilhámos, após ter pedido a respectiva conta da nossa despesa. Não me deixou pagá-la sozinho, porque foi peremptoriamente simples, mas inquestionável no seu argumento. Ao que concordámos partilhá-la.
 
 Saímos lado a lado sorrindo e denotando enorme regozijo pelo dia magnífico que se tinha fundido na sua maior perfeição. Praticamente chegado ao seu final, este dia alterara  dois seres que caminhavam juntos com os corações cheios de amor.
 Seguimos a pé, em direcção à praia que ficaria a meia dúzia de metros de distância, por assim dizer, seria a única coisa que faltava entre nós para ser um dia pleno.
 Ao chegarmos à praia, a Maritó descalça-se e caminhámos junto à água em silêncio, a observar a maravilha que a natureza nos proporciona ver, especialmente em dias como estes, que a olhamos sempre com outros olhos. Ela olha para mim, dá-me a mão, apertando, fazendo a sua pequena dentro da minha e sorriu pela iniciativa. Foi esta, a primeira vez que demos as mãos.
 
 Desconhecíamos ainda as nossas perfeitas afinidades, todavia, ambos sabíamos que as nossas cabeças se encontravam focalizadas nas mesmas formas de entendimento mútuo. Ainda assim, não tínhamos tomado a perfeita consciência do nosso prematuro relacionamento, o suficiente para analisar o que nos afastava um do outro. Só nos aguardava aquilo que seria perfeitamente consciente daquilo que nos unia.
publicado por Mário Feijoca às 01:06 | comentar | ver comentários (3) | favorito
19
Set 05
19
Set 05

20. Jantar à luz das velas

Chegámos ao restaurante, o gerente encaminha-nos para a mesa que estava reservada, num canto recolhida da sala;  com gestos de educação exagerada, puxando a cadeira para a Maritó se sentar, ao que ela o fez de seguida. Passando as listas respectivas. A  Maritó proferiu...
 
 - Nunca aqui tinha vindo, tem um aspecto muito acolhedor e agradável, havemos de vir aqui mais vezes.
 
 Este havemos "de vir aqui mais vezes, entrou-me como uma flecha  dentro da cabeça fazendo alguns estragos nos meus pensamentos. Mas não detonei mais nenhum explosivo, porque o momento não era propício a eu pensar demasiado, mas apenas saborear aquela companhia, de forma a que o amanhã parecesse não existiria mais...
 
 - Sim , é bem possível que venhamos aqui mais vezes, se entretanto, não nos zangarmos ainda hoje! Sorrio com a minha observação, com um ar malandro e provocador ...
 
 - Então e porque nos haveríamos de zangar António? Se entre nós, neste momento, não existe mais nenhum espaço que se lhe ajuste, e muito menos para o "sr. Zangas",além do mais, nunca lhe dou grande importância,  por ser precisamente uma criatura muito contraditório e desmancha prazeres...
 
 Bem, neste momento, com as mãos a apoiar a minha face  como que absorvido pelas suas palavras, fiquei silenciado com o olhar fixos nos dela, ao ponto de me sentir incomodado com o maneira fascinante daquela  sua expressão. - Isto de facto, é uma mulher.! Uma mulher segura e destemida pelas contrariedades da vida, que está sempre atenta aos seus mais desviados percursos que se lhe deparam pela frente, e que ela arranjará sempre maneira de os contornar...
 
 - Maritó, minha linda e enigmática criatura, por onde é que você tem andado estes anos todos, que eu fartei-me de andar à sua procura e só hoje tive a sorte de a encontrar? A vida é muito injusta para a paixão e sobretudo para o amor! Nunca nos oferecendo a possibilidade de a usufruir tranquilamente.
 Quanto ao que vamos pedir para jantar, estou a pensar numas ostras ao natural só com limão para entrada, e um vinho tinto alentejano de vinte anos. O que acha? Depois veremos o que irá ser nos nossos apetites...
 
 - Concordo plenamente, pois adoro ostras...  Por momentos senti uma certa apreensão ao dar-lhe algum seguimento pelo que acabou de proferir, dado poder entender como uma resposta esperada, entendendo-a como uma pergunta pelos sítios em que tenho andado até aqui, quebrando assim, de certa forma, o pacto que ainda há pouco lhe propus. Mas reflectindo melhor, no que acabou de dizer, e não a entendendo como uma pergunta, mas sim como um momento consequente da sua reflexão que o levou à pergunta não sendo uma pergunta objectiva. Apenas direi, e concluirei, que os nossos percursos seguiam paralelamente até atingirmos, hoje de manhã a sua bifurcação...
 
 - Ainda bem que a entendeu assim, porque eu seria incapaz de quebrar o pacto que fizemos na medida em que lhe dei todo o corpo na concordância.
 
 Após o nosso jantar ter decorrido, com toda o nosso dialogo na maior das tranquilidades. Ela levanta-se informando-me que tinha de ir ao toilette. Vejo-a levantar-se, com modos extremamente sensuais. Assola em mim um desejo enorme de a agarrar. Segui-lhe os passas pouquíssimos minutos depois.
 A sala do restaurante encontrava-se praticamente vazia, pois além de nós, apenas se encontravam mais dois ou três casais, normalíssimos. Chego junto à porta, bati, chamando-a pelo nome:
 
 - Maritó, está aí? - ao que ela responde afirmativamente. Abro a parto arrastando o meu corpo para o seu interior agarro-a e beijo-a como se há muito não a tivesse visto.
 
 - Mas António, não pode estar aqui, e se alguém entra o que irão pensar?
 
 - Precisamente aquilo que eu tenho na minha mente, meu amor... - empurrando-a docemente para dentro da cabine sanitária - porque eu desejo-a, não pretendo deixar nada contrariar este meu impulso pelo desejo de a possuir aqui mesmo.
 
 - ah meu Deus! Você descontrola toda a minha postura - deixando-se levar pelo força contida nos meus beijos...
publicado por Mário Feijoca às 00:05 | comentar | ver comentários (4) | favorito
18
Set 05
18
Set 05

19. Após a tempestade vem bonança

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Acabámos de tomar banho, mas desta vez sem distracções, apenas trocávamos alguns beijos e carícias, esfregando os nossos corpos cansados e radiantes por este dia nos ter escolhido para mostrar ao mundo como  é lindo o amor!  Estávamos felizes.

- António meu amor - e riu-se, como que espantada pela naturalidade das suas tão doces palavras - acho que temos de comer, eu tenho umas coisas no frigorífico podia fazer alguma coisa improvisada para jantar.

- Nem pensar Maritó, depois desta árdua tarefa em que ficámos esgotados os dois, nem pensar, agora o meu amor tem de descansar. Por isso, o melhor mesmo a fazer é irmos jantar fora. Eu conheço um restaurante aqui bem perto que é muito acolhedor e  propício ao romance como o nosso que se está a enlear

O romance, a paixão e por último o amor, mas não menos importante, dão-nos de facto outra visão do mundo brilhante e tranquilizador. A condição humana  deveria estar sempre em plena permanência dominada pela paixão... Viveríamos sempre com a alegria onde a tristeza nunca caberia... Mas assim não é, infelizmente. No entanto, o mundo para mim naquele momento resumia-se a duas pessoas, à Maritó e eu próprio, porque os restantes viviam as suas vidas lá fora, e essas, agora, não eram para mim preocupação. Amanhã terei oportunidade de me lembrar delas quer queira quer não...

- Está bem, também concordo, além de eu não ser uma aprimorada cozinheira mas sei desenrascar-me, mas quando isso acontecer, tenho de me preparar que é para o António não ficar decepcionado com a mulher que vê e não aparecer aquela que não quer ver. Porque eu sou uma mulher simples, inteligente tudo bem, mas não deixo de ser simples, assim como também não tenho culpa de ser bonita.

Bem a velocidade do tempo correu por nós com uma rapidez, que sentia que o nosso enlace era nada mais do que o prolongamento das nossas vidas a dançarem à nossa volta, em que não poderíamos sair do quadrado da dança ao som da música que se fazia ouvir pelas batidas ritmadas dos nossos corações em sobressaltos. Onde há amor tem sempre de haver música que nos exalta as emoções.
Saímos do banho envoltos nas toalhas e fomos preparar-nos  para sair e encaminhámo-nos para o restaurante.

- António como vamos? no meu ou no seu automóvel, basta ir só um não será?

- Vamos no seu, e você a conduzir que chegamos mais depressa...

Rimo-nos com a minha insinuação e lá fomos nós, como um casal normalíssimo que já tinha esquecido todos os devaneios associados ao amor. Sim, que por mais que existam pessoas a esconder aquilo que na realidade é perfeitamente natural existir num casal, apenas nos distanciamos dos outros pelo facto destes  não usarem ou por simplesmente não possuírem imaginação para saborearem o corpo humano na sua luxúria plena. Mas entendo haver, porque seremos sempre duas pessoas, aquela que sai à rua e vai trabalhar e aquela que fica em casa com ela própria, ou apenas acompanhada com a sua outra  metade...

Eram 21;35h,  pego no telemóvel, ligo para o restaurante depois de ter procurado o respectivo número de telefone na lista, para fazer a  reserva da mesa. Depois de ter tido sucesso, seguimos radiantes em direcção ao restaurante. Portávamos da mesma forma à saída como à chegada... Ou seja, naturalmente, como se entre nós não tivesse havido rigorosamente nada. Apenas sorriamos de maneira diferente!</span></em>

publicado por Mário Feijoca às 01:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito
17
Set 05
17
Set 05

18. Um meio para atingir um fim.....

Image hosted by Photobucket.comHoje em dia, quando toda a gente de uma maneira geral, ou de outra, está aprisionada ao prazer, a  própria lei económica serve-se dessa apetência generalizada das populações principalmente das camadas mais jovens, que não têm os vícios retrógrados dos seus avós ou mesmo pais,  para vender os seus produtos em que o markting e os spots publicitários dão uma falsa necessidade de os utentes serem obrigados pelo prazer de adquirir determinados objectos,  apenas sendo uma forma da adolescência se afirmar no limiar de atingir a fase adulta e despedir-se da sua infantilidade; aderindo por qualquer determinada marca,  estar em ascensão, ou na moda. E a moda recorre-se sistematicamente da sensualidade implícita dos manequins ou top model's, que têm renome e sobretudo um palminho de cara que lhes vale ganhar somas astronómicas, influenciando as pessoas, como finalidade única, e, na generalidade, com o objectivo de incutir um prazer a quem adquire determinado produto.  Os jovens são sempre os principais visados. Algumas pessoas tendem a não querer largar-se dessa adolescência, mantendo-se crianças até ao resto das suas vidas, numas situações até convém ser-se, mas nunca em tudo, porque cada tempo tem o seu espaço de tempo. Nada está pensado ao acaso ou em vão, é sempre em volta do prazer e da luxúria assim como do próprio glamour, que se movimenta  o mundo civilizado em que vivemos. E os publicitários sabem disso, e têm hoje, um papel fundamental, em que a investigação sistemática, feita por imensas etapas no intuito de descobrirem as suas influências, afim de fazerem sobressair pormenores que caracterizam o comportamento humano no intuito de o influenciarem ao consumo. Fruto desses estudos, principalmente nas universidades norte-americanas, sendo os Estados Unidos o país que financia mais a investigação ao longo destes últimos anos, originando essas mesmas experiências, que seduzem e criam influências para lhes chegar como uma flecha  obrigando as pessoas a comprar para se sentirem bem consigo mesmas. Mas sobretudo, e além do mais, nunca esquecendo o agrado tanto em homens como nas mulheres, com o único intuito de poder agradar inquestionavelmente o sexo oposto. Assim como nos espaços em que todos nos movimentamos diariamente de modo a sermos notados, pelo charme que irradiamos, assim como, na maneira de nos apresentarmos em público pelas vestes que envergamos, como pelos cheiros sintéticos que utilizamos. As essências que compõem os variados perfumes são uma componente importante de modo a fazerem sobressair as pessoas a não passarem despercebidas, mas antes,  serem notadas pelo olfacto como acontece nos próprios animais, expondo-se na procura e necessidade cujo único fim é de atingirem o prazer e exaltar novas sensações de sedução no sexo oposto. Numa palavra, todos queremos agradar...

Os nossos corpos envoltos com toda a espuma provocado pelo gel de banho, davam-nos a sensação de pele viscosamente escorregadia, que iria facilitar a tarefa da penetração anal servindo de lubrificante. Tudo acontece num clímax crescente em que ambos estávamos envolvidos, ela estava calma, algo receosa mas devido a toda a excitação contribuía na perfeição, beijava-a com ternura e carinho, com uma das mãos acariciando-lhe suavemente o clítoris, com a outra dava-lhe carícias nos seus mamilos, que ia cada vez mais inflamando a chama da paixão, o ambiente estava quase perfeito. E para a penetração ter sucesso era necessário haver uma delicadeza e destreza, com ajuda das carícias na vagina simultaneamente percorrendo a zona do ânus, afim de ficar bem lubrificado. Com a água continuamente a correr sobre os nossos corpos, afastámo-nos ligeiramente para não limpar o gel que se mantinha entre as suas coxas, agarra-se ao meu pénis e de uma forma precisa vai tentando enfiá-lo no canal, gemeu e desistiu por escassos segundos, tenta outra vez, e desta vez com sucesso enfia a glande no seu ânus, geme e grita baixinho, ficámos por momentos quietos sem nos mexermos, ela com os braços virados para trás na tentativa de me abraçar naquela posição ingrata e empurrando-me o corpo como que a consentir que lho enfiasse mais, eu ia-me mexendo devagar para não lhe causar muita dor nem nenhum dano, nisto empurra-me com força com o seu rabo contra mim, grita e com o mesmo ímpeto o pénis entra todo no seu ânus, essa sensação dupla de prazer aliada às massagens continuadas que lhe fazia no clítoris, e a inibição estava já controlada pelo prazer cada vez mais fascinante.
Faço-a  dobrar-se sobre o seu corpo de forma a ganhar uma posição facilitada para lhe enfiar o  pénis de seguida na vagina afim de atingirmos o clímax na altura de atingirmos o orgasmo, o que aconteceu em simultâneo novamente, ambos soltando gritos sufocados pelo prazer. Abraçamo-nos debaixo da água, beijo-a, dizendo-lhe  - portou-se muito bem meu amor. Ela sorriu.

- Não foi nada fácil, pois doía bastante ao início, até que senti alguma excitação pela novidade que me encheu de coragem e que queria também sentir prazer assim como pelo prazer que te proporcionaria, o que acho que senti e satisfação também... Numa palavra, gostei!

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Leonard Cohen Ouvir

publicado por Mário Feijoca às 00:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
16
Set 05
16
Set 05

17. Se não formos nós, outro será...

Ela abriu a torneira e pôs a água a correr, e juntos na banheira, trocamos carícias com ela a escorrer-nos pelos corpos cansados, ríamo-nos e brincávamos como duas crianças com a água a salpicar-nos, beijámo-nos ao mesmo tempo que ela me colocava o gel de banho no corpo e vice versa, a nossa carne estava quente, e o tocar dos corpos elevava-nos todos os sentidos, com as mãos escorregadias passavam em toda a zona do corpo, e assim ficámos excitados novamente, ela dançava em volta do meu corpo rindo-se e beijava-me os braços, o pescoço e finalmente as nossa bocas encontram-se. De costas para mim, roçava com o suas nádegas de encontro ao meu pénis, a excitação aumentava e ele ficou totalmente erecto, ela encavalita-se nele, friccionando entre as suas pernas roça os lábios vaginais e a excitação tomou proporções descontroladas, com a mão no meu pénis fazia pressão de encontro à sua vagina, as nossas mãos  tocam-se entre as suas pernas e devagar introduzo-lhe dentro da sua vagina, roçávamos e balbuciávamos palavras sem nexo e imperceptíveis, retiro o meu pénis dentro de si, e numa tentativa frustrada tento enfiar-lho no centro das suas nádegas, ela recusa com o corpo e afasta -se do meu.

- Isso vai-me doer! Se te apetece mesmo introduzi-lo no meu rabinho, terei de ser eu a meter. Mas te garanto que não sei se aguento, porque ninguém nunca, aí mo meteu.

Foi aí a primeira vez que me tratou com maior intimidade. Com um nó na garganta mal conseguia proferir uma palavra que fosse, apenas, acenando com  concordância, e beijando-a loucamente reflexo da minha excitação misturada com a dela, e pelo pensamento que me açulava os meus sentidos de a poder penetrar por trás, fiquei quase sem controle nos movimentos até as pernas  me pesarem. Ela diz-me:

- Não me importo, ao menos tiras-me a virgindade como eu tanto desejei ainda há pouco... No único sítio em que ainda é possível!... Meu amor! 

Fazer amor na posição missionária (tradicional) está completamente fora de época denotando falta de perícia numa mente perfeitamente retrógrada, onde a imaginação do prazer fica recalcada e muito limitada no seu preceito sensual amoroso e eroticamente luxuriante, que nos retrai de todos os sentidos da essência do pleno prazer.
Ficando quase sempre, com a sensação de que algo nos faltou, um acto inacabado. Um espírito aberto entre o casal na componente amorosa, não implica, ou implicará muito menos a possibilidades de haver  traição entre eles. Pois abre sempre um precedente da possibilidade, se não formos nós, outro poderá vir a fazê-lo!
Esta teoria é tão verdadeira como as manifestações realizadas nos anos sessenta pelas comunidades hippies apregoando a paz e amor livre.</span></em></font>

 

Durmo por não conseguir
ficar acordado,
mas continuo a ouvir,
os teus passos
atrás de mim, devagar.

A voz segreda-me
o queixume frágil
da palma da mão.
Recebo os teus segredos
guardo-os para mim

Talvez um dia, saberei
ficar sempre acordado,
com medo de adormecer,
e ficar à tua espera
com essa flor da tua mão

Recordarei com saudade
como seria bom acordar
sempre a teu lado
quando não durmo
e ficar a olhar para ti.

Mas o sonho desperta
a realidade, e volto
a adormecer sonolento
para tentar te encontrar
no sitio onde te deixei.

As pessoas, incluindo por vezes até eu, como é óbvio, tendem a misturar realizações materiais com emocionais. E isso é a forma de nos colocar mais rapidamente num estado de desconforto e descontentamento, que nos leva à depressão e frustração, logo, implica um mal-estar interior. Não sou um génio do romantismo, muito menos o dono da ciência amorosa, mas tenho no coração a sensibilidade de um homem sempre apaixonado pela vida. Tem de haver paixão, em tudo o que fazemos, só assim atingiremos a paz interior para a realização de tarefas muito mais difíceis que encontramos pela frente durante a nossa vida. Nunca poderá haver dúvidas no prazer e no amor, porque elas se reflectirão indiscutivelmente no nosso dia-a-dia, quando isso acontece baralha-nos todos os nossos comportamentos envergonhadamente, dado, só nos ser permitido partilhar essas angústias com um confidente em quem tenhamos a maior confiança, se esse amigo não surgir entramos numa depressão fora do nosso controle que nos limitará o funcionamento da nossa consciência.  E amar... é extremamente fácil, basta abrirmos o coração e sermos apenas nós com todos os nossos defeitos!

A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia.

publicado por Mário Feijoca às 01:08 | comentar | ver comentários (4) | favorito