Diferenças de ver e ser...

Hás vezes basta pôr os dedos nesta posição para observar melhor alguma coisa que nos passa despercebido, sem apontarmos o dedo a nada, assim como, nas feridas que tardam em sarar. Nem atrapalhar o percurso que traçamos, convínhamos, alertar aqueles mais distraídos que este é o nosso espaço, e teremos ocasiões suficientes de o preservar na sua mais legitima condição natural.
É bom pararmos para pensar na imensidão de tantas imagens deste género, que nos obrigará a reflectir apaziguando a nossa condição humana, e que nos desviamos constantemente das coisas simples da vida, contrabalançando-nos entre o ser e o estar.  Vivemos apenas por viver, sem nos dar conta e tempo para olhar o que de mais belo existe, além de usufruirmos da terra a que todos nós somos donos, um pouco!..
Se nos preocupar-mos mais com imagens como estas, talvez saibamos avaliar melhor a condição humanamente tortuosa que nos inquieta diariamente, não nos deixando agir livremente no espaço e no tempo, deste percurso insidioso, que muitas vezes nos obrigam a viver em condições desumanas, senão na própria pele, certamente seremos contíguos a elas, por muito que desviemos forçosamente o olhar, as imagens não deixam de existir, elas estão lá, só que não as vemos porque  somos coniventes, com a própria miséria que há no mundo.
E somos também, uns fortes candidatos responsáveis por não contribuirmos mais de forma consciente, a ele se tornar melhor para todos nós. E cuja culpa nunca morrerá solteira, comecemos por mudar alguma coisa em nós, e tentemos unir esforços contribuindo de modo a nos obrigar a reflectir, e retirarmos ilações da própria crise que existe no mundo actual que faz desta aldeia global um lugar horrível para se viver, não escapando os culpados e os inocentes deste trama entrelaçada em que se vive, subjugados pelo poder daqueles que o possuem. Daremos algum tempo, escasso talvez, na direcção da nossa própria extinção, senão soubermos cuidar melhor do nosso quintal. Afim de se formar desinteressadamente uma prevenção unitária que não realce aquilo que melhor a gente sabe fazer, chorar. Porventura convínhamos também não esquecer e para começar, excluirmos do nosso vocabulário aquele velhíssimo ditado: "quando a esmola é grande, o pobre sempre desconfia". Porque com imagens como estas, nenhum humano no mundo teria o direito a ser pobre. Ou pelo menos não deveria...

Diferenças não podem ser consideradas como dificuldades de harmonia nos relacionamentos. As diferenças são salutares para compreendermos que há muitos modos de ser. Cada pessoa é única, Não é por acaso que as pessoas entram nas nossas vidas. Nada é por acaso, tudo segue uma ordem oculta, que os olhos mais atentos conseguem perceber. Permita que as “coincidências” lhe mostrem o caminho. Momento em que percebes com clareza o que falta para tornar as relações equilibradas. A harmonia não é algo que se atinja subitamente; é uma construção paciente que considera as diferenças individuais propiciadoras de crescimento.

publicado por Mário Feijoca às 04:09 | comentar | favorito