04.O primeiro beijo que lhe dei...

Memória Futura, com café presente nas nossas vidas A  sina não me seduz pelas marcas desalinhadas, essas mãos de quem não dorme mais e leva os dias, roubando-os à gente que vive, no modo como me vês e sentes, como fazes a noite num brilho e desprezas o sol que te fez corar
 ou o horizonte para te sonhar, num momento de fim de tempo, naquele pedaço de terra que nunca foi teu mas que devoraste, arrasaste e deixaste pó, solfejos de um qualquer nome... descrevendo os sentidos, que para ti são roupas rasgadas na noite, por não haver quem te amar!
 
 - Acontece António, que a partir de hoje, virei aqui todas as manhãs beber café, dado trabalhar aqui bem pertinho, e que por sinal, é o meu primeiro dia nesta editora. Por isso, teremos a oportunidade de nos encontrarmos aqui novamente, todos os dias por esta hora. No entanto, não posso deixar de lhe dizer, que achei despropositado o beijo que acabou de me obrigar a dar-lhe. Não por não ter gostado, não é isso, mas por achar que se está a ir depressa demais... E as pressas nunca foram boas conselheiras de ninguém. Não ofereci resistência, e não poderia ser eu a tomar essa iniciativa, mesmo que me apetecesse fazê-lo. Mas gostei de sentir o seu beijo, e isso eu não o posso negar; curvando-me sobre a minha própria fraqueza.
 
 Mediante esta explicação justificada, abriram-se-me horizontes de contentamento por tais palavras proferidas me soarem a caminho livre para novas investidas, mas não poderia  deixar de constatar que esta "Mulher", tinha de facto muito nível em todo o seu conjunto harmoniosamente bem conjugado. Pois mostrou, tanto na reacção como na interpretação dos factos, um equilíbrio assaz desconcertante pela sua calma que desarmaria o argumento de  qualquer homem; o  timbre da sua voz segura, sensual  e de uma dicção quase  perfeitas, fizeram-me reacções de excitação que me obrigaram a conter-me para não a voltar beija-la novamente naquele mesmo instante.
 
 - Eu compreendo perfeitamente a sua situação e até de estupefacção, assim como na condição de mulher e aquilo que pretende dizer, mas você também terá  de fazer um esforço para compreender a motivação descabida que me obrigou a tomar tal iniciativa quase sem controle, de a beijar, pois acho que por momentos deixei de pensar, e o meu instinto animal soltou-se numa investida que eu não lhe pude encurtar as rédeas pela sua beleza desconcertante. Você Maritó, é uma dádiva da natureza que incomoda tanto os homens com a sua presença,  como para aquelas mulheres menos bafejadas pela sorte da mãe natureza. Não só apenas para os homens você será apetecível, mas todas as mulheres que lhe estejam por perto se sentirão incomodadas com essa sua segurança, beleza e sensualidade que porão sempre em risco as suas presenças, onde quer que elas se encontrem.
 
 - Acho que agora está a exagerar, sei que sou bonita, mas aquilo que acabou de me dizer ultrapassa o meu raciocínio e até de certa forma me incomodou a sua amabilidade, deixando-me cobrir o rosto com estas cores ao rubro
 
 - Mas é a pura das verdades o que lhe disse. Existem plantas que necessitam de água para brotar em flor e você minha querida, não lhe é imposto essa condição, porque se alimenta pela própria luz do sol, que lhe dará todo esse brilho que a irradia e a alimenta.
 
 - Oh! Lá está você António,  outra vez a ser galanteador, se tenta me mostrar tudo da primeira vez, o que é que lhe vai restar para as que ainda poderão vir? Diga-me lá?
 
 - Está bem! Se é isso que quer, prometo que a partir deste momento vou ser menos agradável consigo, e trata-la mal (ri-me...), quer que assim seja? Então poderemos nos encontrar ainda hoje, assim que ficar livre dos seus compromissos?
 
 Confesso, que até eu estou a ficar admirado com toda esta minha desenvoltura, tanto no trato assim como no diálogo que se estava a travar entre nós. Não saberei explicar o meu estado de alma, que até parecia estar protegido por uma força superior que me controlava o instinto e a sabedoria, ou será que estava deveras protegido pela  beleza desta mulher e me arrojava até aos limites extra-sensoriais.
 
 - Vou deixar isso ao seu inteiro critério e aguardar se o que acaba de dizer será mesmo verdade. Quanto ao nos encontrarmos hoje, acho que já o estamos a fazer ( e riu-se com ar sedutor...), mas poderemos encontrarmo-nos sim, a partir das 17horas estou livre, e virei aqui beber café, e em seguida irei para casa. Está bem assim? Olhe, pensando melhor, o António até me poderia ser útil e ajudar a transportar um montão de livros que trago na mala do carro, ia atrás de mim até minha casa para me ajudar. Tem, o seu carro não tem?
 
 Claro que tinha carro, barco, avião, moto, bicicleta, patins e até skates, era por demais evidente que iria atrás dela fosse com qualquer destes meios de transporte, mas que iria, isso era garantido... Despedimo-nos naquele preciso momento, mas desta vez fui mais contido, e apenas lhe preguei um beijo nos lábios suavemente com um...:
 
 - Então até logo Maritó, até às 17 horas, aqui... Estarei aqui à sua espera quando chegar!..

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publicado por Mário Feijoca às 00:56 | comentar | favorito