07. Mulher quase fatal...

- Agora deixe-me rir Maritó, deixe-me rir e nem sei se de alegria ou constrangimento pela sua observação, não se esqueça que está inquestionavelmente na frente de um homem parecido com a maioria dos restantes ao de cima da terra, apenas estou deveras encantado com a sua presença e isso faz com que eu tenha uma atenção redobrada pela a admiração que lhe presto; pela sua beleza,  inteligência que demonstra possuir e todo um conjunto de factores agradáveis de se admirar, resignando-me a ser apenas o receptor de tudo isso, em todo o caso, tem toda a minha concordância, não se trata, de ficar apenas e só, pelo seu fascínio. Mas porque sou unânime em tudo o que disse, perdoando-lhe de certa forma alguma falha que tenha tido. Com toda esta conversa que temos mantido, diria que já nos conhecemos há imenso tempo, por já termos abordado um assunto que em muitos casos,  nunca o tive com pessoas que conheço há muito mais tempo, talvez seja, por até agora, só me dar com pessoas feias; feias por dentro e por fora, recalcando assim as ideias e os propósitos que andam à deriva dentro de mim esperando um porto que o desembarque . É nisto que me fascina a arte da sedução. E deixe-me concluir que o meu único receio neste momento, é que você me abandone
 
 - Mas você esta a seduzir me António? Eu julgava que estávamos simplesmente a conversar... A sério que receia isso mesmo?
 
 - Ora!... não me diga que não existe sedução no nosso diálogo, é por demais evidente que a sedução parte nas duas direcções. Ou estarei eu enganado? Pronto, então não chamarei sedução, direi antes encantamento pelas pessoas maravilhosas que somos, na medida em que cada segundo que passa na sua presença o meu alter- ego vai sofrendo mutações obrigando-me a gostar de mim pela sorte de a ter conhecido, com referência modéstia.
 
 - Está bem, concordo! Vamos andando então António... Antes que soframos alguma mutação menos apropriada!
 
 Afinal de contas, não me parece que a mulher seja assim tão diferente do homem, elas têm desejos e prazeres idênticos aos nossos, tem paladar como nós e olhar para ver como nós vemos, então em que se resumirá essas diferenças (?). Apenas se manifestam de maneiras diferentes e aí está a sua habilidade em enfrentar o mundo administrado pelos poderes dos homens. A sabedoria delas está precisamente em ver as falhas que nós nunca as veremos se não forem com o seu compadrio. Admirável!... Simplesmente admirável, e neste momento, esta presença feminina que tenho diante aos meus olhos, simboliza toda força deste ser enigmático que é a mulher.
 
 Saímos com sorrisos maliciosos pela conversa que tínhamos acabado de manter e seguimos em direcção à porta do café; em silêncio continuámos por breves momentos. Quando ele é interrompido pela voz melodiosa da Maritó:
 
 - Eu tenho o meu carro ali no parque, e você António onde deixou o seu?
 
 Sentia-me um homem rejuvenescido e satisfeito por todos os acontecimentos do dia, pois tinha finalizado o projecto a tempo e horas; tinha tido um almoço de negócios que me correu de boa feição, se todos os dias me corressem desta forma, a vida e o seu futuro nunca me preocupariam. Boa parte deste sucesso todo deve-se à manhã fenomenal em que iniciei o dia, e tudo isto deve-se ao simples facto de ter conhecido uma mulher que despertou em mim desejos de alegria e prazeres que à muito estavam emigrados ou adormecidos. Mas sobretudo e principalmente,  deve-se primeiro a mim, por me ter levantado muito mais cedo que o normal. Não há dúvidas que se perdem muitas oportunidades na vida por estarmos a dormir quando deveríamos de estar acordados. Daí o velho ditado, "Levantar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer".
 
 - Também tenho o meu ali no parque. Você, afinal está mesmo aqui ao meu lado, não estou a sonhar. Por momentos julguei que ainda estivesse a dormir, sonhando consigo, que me incomodaria só de pensar de o ter de acordar, perdendo-a de vêz.
publicado por Mário Feijoca às 00:35 | comentar | favorito