11. O desespero de pura entrega...

Stephane Bourson Pensava insistentemente nesta mulher diabólica com tanta beleza que até doía. Não teria mais de trinta e três ou trinta e quatro anos, não muito alta, mas para mulher, a sua altura era considerável, dado que roçava para aí, um metro e setenta aproximadamente; cabelos castanhos escuros a bater-lhe aí p'los ombros, lisos e meio enrolados para dentro, de olho azul mar, a silhueta do seu rosto de traços bem delineados harmoniosamente, o seu nariz, com uma pigmentação de pele deixando transparecer um conjunto de sinais salpicados quase imperceptíveis,  oferecia-lhe um certo aspecto de rebeldia e jovialidade. E um corpo... bem, o corpo mal se consegue descrever dado a sua perfeição, não estou a inventar nem a exagerar, era mesmo indescritível aquela beleza, a sua pele era clara em tons pastel e de uma suavidade, tipo seda aveludada. Digamos que era uma Deusa ( Ou seria antes uma pintura de Rodin saída da tela. Nem sei bem...), que me tinha caído dos céus e que agora estava ali na terra para me levar.

Entretanto, chega a minha "Deusa rebelde" em todo o seu esplendor, com o alimento para aconchegar os estômagos - Numa mão trazia uma travessa com um bolo tipo tarte de morangos com chantili, na outra,  uma terrina com salada de frutos tropicais, salpicada com "Palha de Abrantes" (um doce tradicional da zona, feito à base de gema d'ovos com açúcar confeccionados apenas em água fervida), que é uma delícia, quando bem feito - aconselho a quem ainda não provou, prove. (Apenas a palha...)
Pousou os alimentos junto da lareira, enquanto eu tirava o casaco e me libertava da gravata, que já ali estava a mais. Sentámo-nos ao mesmo tempo, nos mesmos lugares, peguei no cálice do vinho do porto e dei um trago. - E digo:

- Bom aspecto que isso tem... Tive que tirar o casaco e a gravata, que agora já está aqui mais quente. Não a incomoda o facto, pois não?

- Ora essa... então que dirá de mim!

- Bem, mas você está no seu casulo, eu sou, apenas, um intruso do seu espaço em forma de larva que me arrasto a seus pés...

- Deixe-se dessas coisas, e coma lá! - Sorrindo...

Comer, era isso mesmo que eu queria,  comer tudo o que se encontrava à minha frente com um apetite devorador. Talvez, já ocasionado pelo nervosismo, ela tomba o cálice do vinho do porto, no momento em que me passava o prato com uma fatia da dita tarte.
Eu inclino-me para a frente num gesto calmo, a tentar apanhar o copo, mas não resisti, pousei o prato no chão,  peguei-lhe no braço, puxando-a  encosto-a junto a mim, beijo-a como um louco devorador insaciável de prazeres, ela rendida à minha investida deixou-se embalar deliberadamente, correspondendo ao meu apelo. Os nossos corpos bem juntos como se fossem atraídos pelo íman do prazer. No meio daquele silêncio todo que se fazia, ouvíamos as nossas respirações ofegantes de desejos embebedados pelo êxtase da nossa união. Ouvi melros a chilrar, ouvi as ondas do mar a bater nas rochas, ouvi toda a agitação da terra, ouvi toda a galáxia na sua órbita a girar. E, ouvi chamarem o meu nome, para me dizer: "Tem calma António, não morras agora!"

- Eu sinto por si... Maritó, um desejo enorme de a possuir e também sinto as minhas pernas a tremer de lhe estar a fazer esta confidência tão descaradamente, mas sobretudo e além de tudo o mais, eu Amo-a, como jamais sonharia poder vir amar alguém neste curtíssimo espaço de tempo em que nos conhecemos!

- Oh António... e como é que você julga que eu estou? Diga-me você, porque eu estou completamente confusa, e extremamente possuída por si e pela suas arrebatadoras palavras que me levam a sensações que desconhecia que alguma vez as pudesse sentir ? Mostre-me António, aquilo que eu não consigo ver com lucidez, nem perceber o que estou sentindo!

- Bem sabe, meu amor, que os Deuses nos maltrataram dos nossos castigos, antigos protestos. Bem sabe que Deuses nos fizeram do rasto de uma estrela, onde a posso encontrar ir e ficar. Bem sabe que este tempo não deixa correr as águas da fonte, que cintilante é manifesto! Devorámos gestos, detivemos medos, para chegar até aqui. Chorámos de mais!

- Oh... António, como você compreende uma mulher, como você nesse seu ar tranquilo e ao mesmo tempo inquietante, nos sabe compensar com as suas hipnotizadoras palavras que me deixa flutuar no meio delas e desistir de qualquer contrariedade!

- Concordo! concordo plenamente consigo Maritó!

- Não percebi António, agora não o estou a entender (!?) Algo me passou despercebido... Ajude-me!

- Estou-lhe simplesmente a responder, ao pacto que me propôs, há momentos atrás... Concordo com ele sim! Não lhe farei qualquer género de pergunta sobre a sua vida. Apenas me satisfaz a sua presença. Não queria que lhe respondesse, quando descesse? Estou agora a fazê-lo!
Pois agora penso, tudo o que fiz até hoje, parece-me que o caminho me levou até si...

- Estava completamente distante dai, meu querido amigo ( e desmanchou-se em sorrisos) agora você conseguiu apanhar-me perfeitamente desprevenida, que por momentos até pensei que estivesse troçando de mim...

Jessica Simpson/ textualmente...

publicado por Mário Feijoca às 00:08 | comentar | favorito