15. Banho a dois..


Para além das mãos existe uma vida...

- António... julgo estarmos a precisar de um bom banho, para libertarmos esta transpiração dos nossos corpos misturado com toda este fluido doce e peganhosa, assim como para ficarmos mais frescos e limpinhos. E depois teremos de comer qualquer coisa, porque nos esquecemos de jantar! E além de os meus livros continuarem na mala do carro... - riu-se com ar malandro!
 
 Estamos radiantes com todos os acontecimentos, olhei para o relógio e eram vinte horas e trinta e cinco minutos. Vesti a camisa e os boxer's,  a Maritó vestiu apenas a camisa e dirigimo-nos ao piso superior, subimos as escadas quase a correr, na galhofeira como um casal de apaixonados, para ir tomar o nosso tão merecido banho. A toillete ficava no seu quarto.
 O quarto era bastante espaçoso, com uma cama mais larga que o habitual, e como todo o resto da casa, estava muito bem decorado, a um dos cantos tinha uma secretária de traços aproximados ao século XVI, com uma cadeira revestida a coiro verde escuro, onde se encontrava o seu computador. Pensei por momentos, quantas vezes naquela cama, já ela esteve com outros homens fazendo aquilo que nós agora tínhamos acabado de fazer, amor ou apenas sexo como dois alucinados pelo êxtase e pelo prazer.
 Desviei-me deste pensamento, que para o caso não tinha a mínima importância, porque para além dela, havia a vivência de  toda uma vida atrás de si, na qual eu nunca tinha intervindo, até então... E isso, era perfeitamente inquestionável!
 
 O condor, neste preciso momento arregalou o olho, como que a querer dizer alguma coisa, sai-se com esta: - vamos paro o banheiro, vamos para o banheiro, só que agora vai mais gente, não iremos sozinhos uahu - todo ele entusiasmado de excitação sentindo o sangue a encher-lhe as veias.
 
 Dirão vocês, caros leitores, então e a vida resume-se ao sexo, apenas e só aos prazeres da carne? É óbvio que não!  O amor é um sentimento sublime e o mais importante das nossas vidas, sabê-lo partilhar com o nosso semelhante é um exercício permanente e constante, que nunca se deve descorar, porque nunca se saberá tudo acerca das pessoas com quem nos relacionamos ao longo da vida, existem sempre mutações, que por sua vez se vão alterando e adaptando, dando aos nossos sentimentos outras visões de nos relacionarmos sempre de maneira diferente, e preferencialmente de nos ajudar a alterarmos alguma coisa que não esteja de acordo com a satisfação aleatória dos comportamentos que temos. Porque depois, quando o corpo envelhece e o prazer sexual desaparecer, morre assim a sua natural apetência, apenas nos resta a paisagem! Mas o amor puro e platónico permanecerá para sempre! A igreja católica, ou outra qualquer religião, não são exclusivas na propagação da palavra do amor... Pois as pessoas são um universo de conhecimentos e vivências, que por sua vez são tão diferentes como as feições de cada rosto, pode haver parecenças nalgumas e semelhanças fisionómicas noutras, mas não existem duas exactamente iguais. Nem os gémeos o são!
 E o sexo é um componente, senão o mais importante, certamente o é dos mais significativos para o nosso equilíbrio emocional e racional, que nos distingue dos restantes animais. Mas no sexo, se houver realmente amor,  há uma entrega total indiscutivelmente que nos acompanhará até à morte junto de quem sempre amámos. E daí provirá a nossa satisfação no dia a dia, que nos remete a uma condição nas realizações pessoais, tanto no campo familiar, profissional ou amoroso. Não há normalidade nas nossas personalidades, se não houver uma vida sexualmente saudável e activa, e isso implica que o acasalamento só é possível entre o homem e a mulher havendo uma atracção, não fatal, mas equilibrada em que nunca se perca o fio condutor do respeito transcendental. Tudo o que vai para além disso são aberrações não da natureza, como muito gente quer fazer crer-nos, mas da própria pessoa, que por ventura, e infelizmente, não chegou a ser concluída nos genes que compõem os cromossomas que formam o ser dentro do útero materno, mas que virão impreterivelmente com patologias, que é e sempre será onde nasce a própria vida. Mas quanto a isto, e sobre estes casos patológicos, seria um outro romance, que não este.
 
 A Maritó, após uma pausa nos seus pensamentos fruto, possivelmente, de todo um conjunto de situações  que tinham composto este magnífico dia, mostra o seu brilhante raciocínio acompanhado dos seus sentimentos.
publicado por Mário Feijoca às 00:05 | comentar | favorito