16. Nobreza do ser...

 

Para além das mãos existe uma vida...- António, vou fazer-lhe uma confidência que nunca a revelaria a ninguém da mesma forma que o vou fazer consigo. Sou uma mulher madura, não muito liberal, mas não pudica, consigo sinto-me livre e liberta de algumas imposições, fruto da educação que recebi ao longo da minha existência, dada pelos pais ou até mesmo pelas escolas em que fui educada e recebi formação. Eu sei que isto que vou dizer é perfeitamente descabido e fora de todo o contexto, não sou nenhuma hipócrita e muito menos virgem - aqui começa a rir-se, com um sorriso lindo - mas sou humana e com alguma imaginação e inteligência  para perceber onde começa  a realidade e onde acaba o irreal. O que eu lhe quero realmente dizer é que adoraria ter perdido a virgindade consigo, você foi tão doce, tão terno e romântico que me veio este desejo repentino e de o poder partilhá-lo consigo, dado que me proporcionou momentos de enorme satisfação e prazer, como há muito não sentia.
Não se amedronte António, que nada disto tem como intuito obrigá-lo seja ao que for, livre de mim tal ideia, acredite que estou a ser totalmente aberta consigo sem subterfúgios. Estou simplesmente a servir-me de si, unicamente como amigo e confidente porque você me proporcionou uma aventura na qual não tenho por hábito embarcar, mas dou graças pelo beijo atrevido que me deu esta manhã.  Baixou o olhar a brincar com as mãos por alguns momentos, depois olha para mim com uma expressão que não tinha ainda visto até aí, lança-me os braços ao pescoço e beija-me com uma ternura, que quase me comoveu pelo facto de ter o corpo todo ele a tremer.

- É uma grande honra para mim, Maritó, que não nos conhecemos ainda há vinte e quatro horas ser eu o "objecto" desse seu desejo, fico simplesmente sem palavras para demonstrar o meu reconhecimento e afecto... não esquecendo o nosso pacto, tenho um apetite voraz de saber mais a seu respeito, porque o que concluo apenas é que não me enganei na pessoa que vi em si. Você é mesmo uma mulher fantástica que qualquer homem, que seja digno de si, se sentiria feliz a seu lado.

- Fica comigo está noite, António?

- Ficamos os dois sim meu amor, não vou a nenhum lado mais, a não ser tomar banho agora mesmo...  - *O amor é habitado por uma só alma, em dois corpos.

- Com tempo e lá mais para a frente saberá tudo a meu respeito, prometo, até quantas fraldas usei quando era bebé, e aconteça o que acontecer quero que me aceite sempre como uma amiga sua, e nunca outra coisa, a não ser amiga e amante.

Fiquei a pensar nestas palavras e na sua evidente sinceridade que me pareceram tão honestas, que neste momento seria incapaz de entender outra coisa senão um manifesto de que tinha vontade de ir mais além, mas possivelmente, o momento não lhe era plenamente favorável, não só por tudo aquilo em que estávamos envolvidos naquele momento como pelo espaço de tempo em que ainda tínhamos um relacionamento tão prematuro.
Adoro os seres humanos, de uma maneira geral e mesmo com todas as suas diferenças, perdoo-os sempre por alguma falha que tenham eventualmente em dada altura, porque sei que não somos perfeitos. Mas de todos eles, a mulher para mim é o ser mais nobre em todo o sentido moral inalienável, que existe ao de cimo da terra. A mulher representa a vida! E eu, adoro mesmo viver...

*Aristóteles Filósofo: 384 a.C. - 322 a.C.
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publicado por Mário Feijoca às 01:25 | comentar | favorito