17. Se não formos nós, outro será...

Ela abriu a torneira e pôs a água a correr, e juntos na banheira, trocamos carícias com ela a escorrer-nos pelos corpos cansados, ríamo-nos e brincávamos como duas crianças com a água a salpicar-nos, beijámo-nos ao mesmo tempo que ela me colocava o gel de banho no corpo e vice versa, a nossa carne estava quente, e o tocar dos corpos elevava-nos todos os sentidos, com as mãos escorregadias passavam em toda a zona do corpo, e assim ficámos excitados novamente, ela dançava em volta do meu corpo rindo-se e beijava-me os braços, o pescoço e finalmente as nossa bocas encontram-se. De costas para mim, roçava com o suas nádegas de encontro ao meu pénis, a excitação aumentava e ele ficou totalmente erecto, ela encavalita-se nele, friccionando entre as suas pernas roça os lábios vaginais e a excitação tomou proporções descontroladas, com a mão no meu pénis fazia pressão de encontro à sua vagina, as nossas mãos  tocam-se entre as suas pernas e devagar introduzo-lhe dentro da sua vagina, roçávamos e balbuciávamos palavras sem nexo e imperceptíveis, retiro o meu pénis dentro de si, e numa tentativa frustrada tento enfiar-lho no centro das suas nádegas, ela recusa com o corpo e afasta -se do meu.

- Isso vai-me doer! Se te apetece mesmo introduzi-lo no meu rabinho, terei de ser eu a meter. Mas te garanto que não sei se aguento, porque ninguém nunca, aí mo meteu.

Foi aí a primeira vez que me tratou com maior intimidade. Com um nó na garganta mal conseguia proferir uma palavra que fosse, apenas, acenando com  concordância, e beijando-a loucamente reflexo da minha excitação misturada com a dela, e pelo pensamento que me açulava os meus sentidos de a poder penetrar por trás, fiquei quase sem controle nos movimentos até as pernas  me pesarem. Ela diz-me:

- Não me importo, ao menos tiras-me a virgindade como eu tanto desejei ainda há pouco... No único sítio em que ainda é possível!... Meu amor! 

Fazer amor na posição missionária (tradicional) está completamente fora de época denotando falta de perícia numa mente perfeitamente retrógrada, onde a imaginação do prazer fica recalcada e muito limitada no seu preceito sensual amoroso e eroticamente luxuriante, que nos retrai de todos os sentidos da essência do pleno prazer.
Ficando quase sempre, com a sensação de que algo nos faltou, um acto inacabado. Um espírito aberto entre o casal na componente amorosa, não implica, ou implicará muito menos a possibilidades de haver  traição entre eles. Pois abre sempre um precedente da possibilidade, se não formos nós, outro poderá vir a fazê-lo!
Esta teoria é tão verdadeira como as manifestações realizadas nos anos sessenta pelas comunidades hippies apregoando a paz e amor livre.</span></em></font>

 

Durmo por não conseguir
ficar acordado,
mas continuo a ouvir,
os teus passos
atrás de mim, devagar.

A voz segreda-me
o queixume frágil
da palma da mão.
Recebo os teus segredos
guardo-os para mim

Talvez um dia, saberei
ficar sempre acordado,
com medo de adormecer,
e ficar à tua espera
com essa flor da tua mão

Recordarei com saudade
como seria bom acordar
sempre a teu lado
quando não durmo
e ficar a olhar para ti.

Mas o sonho desperta
a realidade, e volto
a adormecer sonolento
para tentar te encontrar
no sitio onde te deixei.

As pessoas, incluindo por vezes até eu, como é óbvio, tendem a misturar realizações materiais com emocionais. E isso é a forma de nos colocar mais rapidamente num estado de desconforto e descontentamento, que nos leva à depressão e frustração, logo, implica um mal-estar interior. Não sou um génio do romantismo, muito menos o dono da ciência amorosa, mas tenho no coração a sensibilidade de um homem sempre apaixonado pela vida. Tem de haver paixão, em tudo o que fazemos, só assim atingiremos a paz interior para a realização de tarefas muito mais difíceis que encontramos pela frente durante a nossa vida. Nunca poderá haver dúvidas no prazer e no amor, porque elas se reflectirão indiscutivelmente no nosso dia-a-dia, quando isso acontece baralha-nos todos os nossos comportamentos envergonhadamente, dado, só nos ser permitido partilhar essas angústias com um confidente em quem tenhamos a maior confiança, se esse amigo não surgir entramos numa depressão fora do nosso controle que nos limitará o funcionamento da nossa consciência.  E amar... é extremamente fácil, basta abrirmos o coração e sermos apenas nós com todos os nossos defeitos!

A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia.

publicado por Mário Feijoca às 01:08 | comentar | favorito