19. Após a tempestade vem bonança

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Acabámos de tomar banho, mas desta vez sem distracções, apenas trocávamos alguns beijos e carícias, esfregando os nossos corpos cansados e radiantes por este dia nos ter escolhido para mostrar ao mundo como  é lindo o amor!  Estávamos felizes.

- António meu amor - e riu-se, como que espantada pela naturalidade das suas tão doces palavras - acho que temos de comer, eu tenho umas coisas no frigorífico podia fazer alguma coisa improvisada para jantar.

- Nem pensar Maritó, depois desta árdua tarefa em que ficámos esgotados os dois, nem pensar, agora o meu amor tem de descansar. Por isso, o melhor mesmo a fazer é irmos jantar fora. Eu conheço um restaurante aqui bem perto que é muito acolhedor e  propício ao romance como o nosso que se está a enlear

O romance, a paixão e por último o amor, mas não menos importante, dão-nos de facto outra visão do mundo brilhante e tranquilizador. A condição humana  deveria estar sempre em plena permanência dominada pela paixão... Viveríamos sempre com a alegria onde a tristeza nunca caberia... Mas assim não é, infelizmente. No entanto, o mundo para mim naquele momento resumia-se a duas pessoas, à Maritó e eu próprio, porque os restantes viviam as suas vidas lá fora, e essas, agora, não eram para mim preocupação. Amanhã terei oportunidade de me lembrar delas quer queira quer não...

- Está bem, também concordo, além de eu não ser uma aprimorada cozinheira mas sei desenrascar-me, mas quando isso acontecer, tenho de me preparar que é para o António não ficar decepcionado com a mulher que vê e não aparecer aquela que não quer ver. Porque eu sou uma mulher simples, inteligente tudo bem, mas não deixo de ser simples, assim como também não tenho culpa de ser bonita.

Bem a velocidade do tempo correu por nós com uma rapidez, que sentia que o nosso enlace era nada mais do que o prolongamento das nossas vidas a dançarem à nossa volta, em que não poderíamos sair do quadrado da dança ao som da música que se fazia ouvir pelas batidas ritmadas dos nossos corações em sobressaltos. Onde há amor tem sempre de haver música que nos exalta as emoções.
Saímos do banho envoltos nas toalhas e fomos preparar-nos  para sair e encaminhámo-nos para o restaurante.

- António como vamos? no meu ou no seu automóvel, basta ir só um não será?

- Vamos no seu, e você a conduzir que chegamos mais depressa...

Rimo-nos com a minha insinuação e lá fomos nós, como um casal normalíssimo que já tinha esquecido todos os devaneios associados ao amor. Sim, que por mais que existam pessoas a esconder aquilo que na realidade é perfeitamente natural existir num casal, apenas nos distanciamos dos outros pelo facto destes  não usarem ou por simplesmente não possuírem imaginação para saborearem o corpo humano na sua luxúria plena. Mas entendo haver, porque seremos sempre duas pessoas, aquela que sai à rua e vai trabalhar e aquela que fica em casa com ela própria, ou apenas acompanhada com a sua outra  metade...

Eram 21;35h,  pego no telemóvel, ligo para o restaurante depois de ter procurado o respectivo número de telefone na lista, para fazer a  reserva da mesa. Depois de ter tido sucesso, seguimos radiantes em direcção ao restaurante. Portávamos da mesma forma à saída como à chegada... Ou seja, naturalmente, como se entre nós não tivesse havido rigorosamente nada. Apenas sorriamos de maneira diferente!</span></em>

publicado por Mário Feijoca às 01:29 | comentar | favorito