20. Jantar à luz das velas

Chegámos ao restaurante, o gerente encaminha-nos para a mesa que estava reservada, num canto recolhida da sala;  com gestos de educação exagerada, puxando a cadeira para a Maritó se sentar, ao que ela o fez de seguida. Passando as listas respectivas. A  Maritó proferiu...
 
 - Nunca aqui tinha vindo, tem um aspecto muito acolhedor e agradável, havemos de vir aqui mais vezes.
 
 Este havemos "de vir aqui mais vezes, entrou-me como uma flecha  dentro da cabeça fazendo alguns estragos nos meus pensamentos. Mas não detonei mais nenhum explosivo, porque o momento não era propício a eu pensar demasiado, mas apenas saborear aquela companhia, de forma a que o amanhã parecesse não existiria mais...
 
 - Sim , é bem possível que venhamos aqui mais vezes, se entretanto, não nos zangarmos ainda hoje! Sorrio com a minha observação, com um ar malandro e provocador ...
 
 - Então e porque nos haveríamos de zangar António? Se entre nós, neste momento, não existe mais nenhum espaço que se lhe ajuste, e muito menos para o "sr. Zangas",além do mais, nunca lhe dou grande importância,  por ser precisamente uma criatura muito contraditório e desmancha prazeres...
 
 Bem, neste momento, com as mãos a apoiar a minha face  como que absorvido pelas suas palavras, fiquei silenciado com o olhar fixos nos dela, ao ponto de me sentir incomodado com o maneira fascinante daquela  sua expressão. - Isto de facto, é uma mulher.! Uma mulher segura e destemida pelas contrariedades da vida, que está sempre atenta aos seus mais desviados percursos que se lhe deparam pela frente, e que ela arranjará sempre maneira de os contornar...
 
 - Maritó, minha linda e enigmática criatura, por onde é que você tem andado estes anos todos, que eu fartei-me de andar à sua procura e só hoje tive a sorte de a encontrar? A vida é muito injusta para a paixão e sobretudo para o amor! Nunca nos oferecendo a possibilidade de a usufruir tranquilamente.
 Quanto ao que vamos pedir para jantar, estou a pensar numas ostras ao natural só com limão para entrada, e um vinho tinto alentejano de vinte anos. O que acha? Depois veremos o que irá ser nos nossos apetites...
 
 - Concordo plenamente, pois adoro ostras...  Por momentos senti uma certa apreensão ao dar-lhe algum seguimento pelo que acabou de proferir, dado poder entender como uma resposta esperada, entendendo-a como uma pergunta pelos sítios em que tenho andado até aqui, quebrando assim, de certa forma, o pacto que ainda há pouco lhe propus. Mas reflectindo melhor, no que acabou de dizer, e não a entendendo como uma pergunta, mas sim como um momento consequente da sua reflexão que o levou à pergunta não sendo uma pergunta objectiva. Apenas direi, e concluirei, que os nossos percursos seguiam paralelamente até atingirmos, hoje de manhã a sua bifurcação...
 
 - Ainda bem que a entendeu assim, porque eu seria incapaz de quebrar o pacto que fizemos na medida em que lhe dei todo o corpo na concordância.
 
 Após o nosso jantar ter decorrido, com toda o nosso dialogo na maior das tranquilidades. Ela levanta-se informando-me que tinha de ir ao toilette. Vejo-a levantar-se, com modos extremamente sensuais. Assola em mim um desejo enorme de a agarrar. Segui-lhe os passas pouquíssimos minutos depois.
 A sala do restaurante encontrava-se praticamente vazia, pois além de nós, apenas se encontravam mais dois ou três casais, normalíssimos. Chego junto à porta, bati, chamando-a pelo nome:
 
 - Maritó, está aí? - ao que ela responde afirmativamente. Abro a parto arrastando o meu corpo para o seu interior agarro-a e beijo-a como se há muito não a tivesse visto.
 
 - Mas António, não pode estar aqui, e se alguém entra o que irão pensar?
 
 - Precisamente aquilo que eu tenho na minha mente, meu amor... - empurrando-a docemente para dentro da cabine sanitária - porque eu desejo-a, não pretendo deixar nada contrariar este meu impulso pelo desejo de a possuir aqui mesmo.
 
 - ah meu Deus! Você descontrola toda a minha postura - deixando-se levar pelo força contida nos meus beijos...
publicado por Mário Feijoca às 00:05 | comentar | favorito