23. Regresso casa...

Image hosted by Photobucket.comTransportámos os livros em direcção ao seu quarto, subimos as escadas na brincadeira, rindo e fazendo expressões de contentamento pela companhia um do outro. Depois de ela os arrumar, descemos novamente as escadas, e fomos sentar-nos no sofá de pela cinzenta, que se encontrava na sala. Cinzento era precisamente aquilo que este dia não tinha sido... Ela interrompe-me os pensamentos e pergunta:

- António eu vou beber um copo de leite natural, você também quer que lhe traga um? E fica comigo esta noite, não fica?

- É exactamente isso que eu bebo antes de ir para a cama E já não fazia intenção de sair daqui a não ser depois de dormir... Bebemos o copo de leite juntos um ao outro, coloca-me a mão na minha perna para concluir a sua pergunta.

- Eu sei, já me tinha respondido concordando, apenas quis reforçar o meu desejo novamente. - E vamos os dois caminhando para a casa de banho, para cada um fazer a sua higiene e de seguida irmos descansar e dormir, Pois teríamos de nos levantar cedo de manhã, para irmos  trabalhar.
O acontecimento deste magnífico dia iria ficar gravado na minha memória para sempre. Existe sempre um destes dias reservados nas nossas vidas, que mudará inquestionavelmente o seu rumo.  Ninguém tem culpa das suas virtudes, ou das arrebatadoras paixões inesperadas  que nunca adormecem na nossa satisfação,  entendermos com o desconhecido que nos arrebata é uma tarefa que passará a fazer parte de nós.  Necessitamos e precisamos de ser amados tal e qual como no primeiro encontro, despendemos a nossa entrega, fazemos escolhas e seguimos o nosso caminho às cegas, mas o amadurecimento do coração cada vez vai ficando com menos espaço para entender os sentimentos que nos envolvem de um momento para o outro. Teremos sempre que valorizar as situações e nos predispor a explorar o nosso interior com verdade, sabedoria e amor, para ver a beleza do nosso interior que só os outros que nos ama vêm e nos ajudam a crescer...

Distante vai o tempo já gasto
desde que te conheci
passeava a mão nos teus cabelos,
quando te beijava estremecia

Os teus belos cabelos loiros
hoje já prateados p'lo tempo
que não nos perdoou
esta nossa pele já gasta
que o destino nos beijou

Restando-nos este amor firme
neste já longo caminho
abraçámos mutuamente nossas vidas
nestes corpos já ressequidos
mantivemo-nos sempre unidos

Tudo abandonou e nos esqueceu
envelhecidos na amargura da pele
deste tempo, que por nós passou
em nada  nos perdoou, só tu e eu

Apenas o nosso amor ficou
sempre igual nos acompanhou
nesta longa caminhada
esta paixão ainda não findou

Sentimos o mesmo amor
só o tempo nos atraiçoou.

Hoje olhamos para trás
nessa mesma direcção
lembramos com graça
os beijos que trocámos.

Carícias que hipotecámos
corpos já esquecidos da beleza
mas nada conseguiu derrubar,
a estrutura deste amor nos uniu

Beijava-te e estremecia
como se ainda fosse hoje
quando sinto os teus abraços
tudo o que a vida nos levou
Apenas nosso amor  ficou!


Ela despe-se, ficando apenas de lingerie bicolor vermelha e preta, que ainda lhe fazia sobressair mais as formas esbeltas do seu corpo. Na minha cabeça vai-se desenvolvendo um desejo enorme de a possuir novamente, mas o meu corpo não o permitiria porque já tinha cumprido a sua função não me dando hipóteses para  mais leviandades neste dia.

E deitámo-nos abraçados, bem juntinhos um ao outro, e assim  ficámos até ela não resistir ao cansaço e adormeceu. Fiquei a olhar para ela até adormecer também.

publicado por Mário Feijoca às 01:21 | comentar | favorito