25. Um dia especial...

</em>Estávamos no Outono, as árvores iam-se despindo das suas folhagens amarelecidas, para se vestirem depois com nova folhagem verde e viçosa para enfrentarem um Inverno frio e chuvoso que se avizinhava. Era assim sempre o seu ciclo de vida.
Longe vai o tempo em que o homem vivia junto às linhas de água sem grandes  preocupações de defesa. Agora os tempos eram outros. O antigo inimigo, a fome, foi delegada para segundo plano. Agora o maior inimigo do homem é o próprio homem.

Encontrava-me sentado num banco do jardim de fronte para o mar. O dia estava agradavelmente ameno, que me senti tranquilamente bem naquele local em que não havia quase ninguém a não ser as gaivotas a voar e os veículos a passar na marginal. Coloquei o livro que estava a ler de lado (Vida para além da morte),sobre o banco junto ao meu corpo.
Fixei o olhar ao rio na sua natural inquietação formando pequenas ondas a deslizar sobre a água, e observei atentamente as folhas a cair das árvores até chegar ao chão e a serem levadas pelo vento.
E assolou-me o pensamento; porque é que a nossa vida não se renovaria como as folhas das árvores no Outono...
Peguei no livro, levantei-me e fui caminhando devagar até encontrar uma florista, para comprar quatro dúzias de rosas vermelhas, para oferecer à Maritó, pois ela fazia anos nesse dia.
Cheguei a casa, a Marió ainda estava deitada, bonita como sempre, apesar de apresentar um ar cansado. Olho para ela, sorrindo e digo-lhe:

- Tome meu amor, e parabéns por mais um aniversário. - Estendi-lhe as rosas vermelhas, conjuntamente com um beijo nos seus lindos lábios.

- Oh meu amor, como você sempre me conseguiu seduzir!

- Não meu amor, eu nunca a seduzi, apenas nunca a quis perder, é só isso meu bem...

Com aquele seu lindo ar tranquilo a que já me tinha habituado, mesmo se encontrando ainda deitada depois de uma noite dormida, estava sempre sedutoramente bonita. Com aquela expressão no olhar que erradia felicidade de uma mulher que sempre se tinha sentido adorada e amada.

- Obrigado meu eterno amante...

Caminhei até junto da escrivaninha que se encontrava  por baixo da janela que se situava no quarto. Abri uma das suas gavetas e retirei do seu interior um jornal dobrado em quatro partes, já amarelecido pelo passagem do tempo, desdobrei-o e olho para a data da sua edição e leio, seis de Janeiro de mil novecentos e oitenta e um, já tinham passado quarenta e oito anos.
Levanto-me para ir à toilette e ouço o condor dizer: ó filho, agora já não me incomoda nada as tuas vindas ao banheiro, porque já estamos os dois velhos e cansados.

.... / /....

</span></font>FIM

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Os homens da forma como eu os conheço, é natural que, muitos possivelmente, não tenham gostado desta história, mas a minha intenção também não foi escrever direccionado a eles. Mas sim, a namorar com todas a mulheres que nunca tenham sentido o amor intenso da entrega.  Por que vocês, são de facto a minha fonte inspiradora aliada a uma enorme admiração pela vossa coragem, dedicação e pela vossa beleza interior. Nunca admitam, ser tratadas como simples objectos de prazer, exijam sempre ser amadas sem limitações. E sobretudo nunca tenham a tentação de proporcionar ensejo a errar, mostrem sempre os vossos verdadeiros desejos, sejam verdadeiros mesmo que vos custe a separação, porque a carne é fraca, mas pior do que isso é negarem a possibilidade de ainda poderem vir a ser felizes. É muito mais doloroso a traição do que a verdade que se esconde por trás dela, e a resignação é uma porta larga à tristeza e há desilusão. Mas a vida sem vós, não teria sentido nenhum, e eu de certeza que não existiria, mesmo que fosse possível eu nascer, recusava-me a viver. Sejam felizes!

publicado por Mário Feijoca às 00:23 | comentar | favorito