Mares de um blog...

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
Para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de/espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o
elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
Só recolho o gosto infinito das respostas que não
se encontram.
Virei-me sobre a minha própria existência, e
contemplei-a:
Minha virtude era esta errância por mares
contraditórios.
E este abandono para além da felicidade e da
beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
Qualquer coisa que flutua sobre este corpo
efémero e precário,
Como o vento largo do oceano sobre a areia
passiva e inúmera...

(Poema de Cecília Meireles) Servido por Menina Marota...
publicado por Mário Feijoca às 23:39 | comentar | favorito