Sensos...

 


Depois de ter atentamente observado e escutado pelos meios de comunicação os entendidos na área politica nacional, congratulo-me pelo facto de existir uma unanimidade perfeita nas várias forças disputadas nas  autarquias por repudiaram os candidatos  independentes  nas respectivas eleições. Não por serem independentes, mas pelo facto de todos eles serem arguidos em diversos processos que não deixam margem para dúvidas que as leis estão atrofiadas e não prevêem situações que possam evitar qualquer meliante de se candidatar. Temos quatro casos, mas o mais flagrante é o de Felgueiras, uma candidata que fugiu à justiça durante quase dois anos e ao chegar ao seu país, é ouvida pela justiça e posta em liberdade, dando-lhe a oportunidade impunemente para disputar uma candidatura independente e ganhar com uma expressividade tal, que nos obriga a pensar na forma como a constituição deste pais está elaborada, não prevendo anomalias desta envergadura. E isto é grave, muito grave mesmo, porque das duas uma, ou todos os intervenientes governativos terão culpas no cartório, tolerando essas situações com algum receio de que venham à opinião publica através destes, as suas graves falhas a nível politico dando a entender que existem muitos com saco azul que os levariam à justiça... Isto por um lado. Por outro, os  juristas deste país que contribuem para que essas leis não sejam alteradas pelo simples facto de ficarem com poderes reduzidos, não lhes permitindo criarem os seus respectivos lobbys pois todos anseiam lugares de destaques para os seus amigos e familiares, ou então, não percebem mesmo nada de constituição democrática. E isso de certa maneira verifica-se na distribuição de directores e administradores espalhados pelos variadíssimos departamentos geridos pelo próprio estado após tomarem posse nos destinos do país como se se tratasse de uma prateleira de supermercado onde todos os produtos lhes ficam à mão, e assim apropriando-se indevidamente do exposto não os obrigando a passar pelas respectivas caixas para o seu pagamento.


De seguida e consequentemente, o que originou a essas candidaturas terem o sucesso que tiveram foi pelo facto de olharem com descrédito para a politica, e não lhes importar que o seu autarca tenha desviado fundos em proveito próprio, uma vez que eles próprios se sentem espoliados e usurpados pelo próprio governo, quer seja pelo aumento do IVA abusivamente, quer seja no aumento da reforma que lhes reduzem drasticamente as suas pensões de reforma, ou até por verem as suas promoções de carreira adiadas, fruto da má gestão que se vive, reflectindo-se esse adiamento a uma redução monetária no seu orçamento. Por isso, não é de admirar que eles perdoem os autarcas menos transparentes de fazerem as suas manobras financeiras e  atribuírem-lhes o seu voto de confiança. O povo como se diz é soberano, e isso vê-se nos momentos de eleições, não lhes preocupando de que o autarca X ou Y se tenha apropriado indevidamente de fundos que provieram do estado, desde que tenham contribuído para o desenvolvimento do seu concelho, garantindo assim os seus postos de trabalho na sua região, desculpando-os de certa forma por isso, mas por acharem  normalíssimo que eles o façam respectivamente pelo "bem comum". Porque todos eles, terão provavelmente telhados de vidro. Para finalizar, as pessoas estão saturadas dos discursos politicamente correctos, preferem antes obra feita  e verem os seus meios urbanos nas cidades tratados  e organizadas afim de trazerem mais desenvolvimento e mais qualidade de vida às populações. Concluindo, somos um pais de ladrões... Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão. Por conseguinte, só possivelmente, daqui a duzentos anos se viverá num país honesto e verdadeiramente democrático.

ping.jpg

 

 

publicado por Mário Feijoca às 04:17 | comentar | favorito