Um simples, dedo!..

Existem riscos que nos absorvem sem sequer darmos conta de que eles se desenrolam como uma bola de neve imparável, transformando-nos numa outra pessoa por nos agarrarmos incansavelmente ao mundo virtual despendendo assim, demasiado do nosso tempo do qual pouco resta para os interesses que nos rodeiam. Obrigam-nos a absorver um vício quase inofensivo originando um gradual afastamento, cada vez mais intenso no seio familiar, contribuindo desta forma para uma obstrução do nosso equilíbrio emocional que se sentirá dividido entre o real e o virtual, criando um mundo à margem dos que nos rodeiam e coabitam connosco originado pelo simples vício do computador.
Este é o mundo em que nos movimentamos actualmente e nos trouxe novas equações que teremos de desvendar afim de não alterar o conceito de vida conforme a conhecemos hoje e os perigos que daí poderão surgir, se não se levar isso em linha de conta, numa perspectiva de prevenção, é um risco que se corre nas proporções desgovernadas que nos levarão cada vez mais ao limite da segregação social e sobretudo, mais grave ainda, familiar, deixando-a simplesmente ao seu abandono.
Os vícios descontroláveis no mundo virtual serão agravados pela monotonia dos nossos pontos mais fracos. Durante centenas de anos foi-se desenvolvendo tanto no homem como na mulher habilidades que criaram a ideia do adultério como uma tábua de salvação para as suas angústias, a internet aqui, surgiu como a oportunidade escondida tão desejada, oferecendo imensas e variadas possibilidades de quebrar a monogamia ainda existente entre os homens e mulheres, que, de uma forma ou de outra, nunca se arriscariam a não ser na internet, por julgarem, descontraidamente que se sentirão protegidos por detrás dum simples monitor, este é o primeiro erro no mundo virtual.
O mundo virtual está aberto a todo o género de pessoas nos mais variados propósitos, vai desde os "bi" aos "mono",  terminando nos "gamo", são estas as três características dos cibernéticos, os mais perigosos serão os do tipo gamo, por incutirem falsos valores afim de destabilizarem os mono, consequentemente aqui destaca-se em grande plano a mulher, de forma a poder exercer as suas ilimitadas capacidades, longe de tudo e todos de modo a fazer valer a sua arte argumentativa de seduzir, sem estar sujeita a recriminações inibitórias sociais, que as estimulam a enveredar nas suas maiores habilidades, que quase sempre começam em tom de brincadeira, mas que na grande maioria das vezes saem fora do seu controle. Poderá levar ou não, meses até surgir a possibilidade de se realizar um simples encontro para tomar um café. A partir daqui, a sua familiaridade desenvolve-se descontraidamente em direcção a uma inesperada aventura, seja ela através de chats,  fóruns de qualquer género, ou até na simples troca de mails, desenrolar-se-á uma intimidade mais profunda criando situações mais abertas ao seu entendimento, desabafando as suas carências afectivas, aludindo por vezes à sua insatisfação no relacionamento com sua companheira ou companheiro que abrirá um precedente e até, uma apetência generalizada para se ir mais além, ultrapassando o risco da coerência aventurada.
Porque na zona fantástica do cérebro, existem sempre homens e mulheres mágicos, que os levarão à famigerada traição, infelizmente isto é muito comum, a curiosidade que ela pode promover atingirá o seu limite máximo arriscando sempre de modo a ir para além das nossas limitações conscientes. Os nossos comportamentos alteram-se e a isso ninguém está imune.
Existe sempre uma guerreira capaz de desencadear situações que alteram o comportamento do mais pacato e inofensivo dos homens a enveredar por um desenvolvimento dum relacionamento descontrolado que o levará a trair os seus próprios princípios, pondo em causa a sua tranquilidade familiar e acima de tudo a da sua companheira.
O homem está sempre muito mais exposto e sujeito a estas vulnerabilidades do que acontece em relação à mulher, isso deve-se sobretudo ao facto da facilidade que ele tem na abordagem com o desconhecido,  por nunca se sentir ameaçado nem  recriminado, como acontece por exemplo na condição feminina, elas são sempre muito mais descriminadas socialmente obrigando-as a socorrer-se da indiscrição para romper barreiras, raras vezes  inclusive, partilham as suas aventuras com a mais intima das amizades, sempre com receio de não serem bem interpretadas. Porém, no caso do homem, isso não acontece por não encontrar obstáculos de qualquer espécie a não ser a sua própria consciência, ele encontrará sempre um caminho aberto que o levará a prontificar-se a uma apetência instantânea de um relacionamento extraconjugal, e quando isso acontece é prática comum, vangloriando-se quase sempre do seu feito entre o convívio dos amigos sem temer a recriminação espontânea.

No mundo virtual, romperam-se essas barreiras por estarem ambos em pé de igualdade e poderem utilizar os mesmo componentes na sua forma mais pura de sedução, porque comunicam entre si com as mesmas armas de atracção, a partir daqui, estão a um simples passo que os separam de começarem os encontros secretos, independentemente de terem ou não um relacionamento estável. A perspicácia tomará proporções fora do seu âmbito normal, devido a um estimulo que vai crescendo, cuja curiosidade em saber como será a pessoa com  quem se comunica e nos é completamente invisível, apesar de já se ter, demasiado conhecimento da vida íntima pormenorizada um do outro, que nem os seus mais chegados amigos são conhecedores dessas potencialidades, passará a ser, quase, um confessionário virtual, porque a argumentação deixou de se apresentar como um obstáculo ao rompimento da timidez. Aqui apenas estamos nós o teclado e o monitor, que nos levará até onde os nossos argumentos imaginativos nos permitirem na medida em que  as realidades separam-se do obvio valorizando cada vez mais o acaso.

Ainda não está estabelecido nenhuma forma de conduta e ética que salvaguarde os menos incautos de serem bombardeados com propostas indesejadas, actualmente, caberá a cada um de nós, estabelecer os limites da perversidade a que queremos estar sujeitos, evitando assim, os links mais suspeitos que se manifestam nas abordagens mais ultrajantes afim de atingir os seus objectivos mais inqualificáveis. É aqui, que se deve separar a fronteira  impondo a nossa própria conduta e ética, evitando-os. A internet actualmente é dos maiores mecanismos responsáveis das situações criadas, as quais, originando incompatibilidades nas desavenças familiares que levam ao desagregamento até atingir um desconforto insolúvel resultando quase sempre em divórcio; possivelmente entre nós ainda não chegou aí, embora existam já casos pontuais de situações de grandes desentendimentos entre os casais por existir o sentido presente da desconfiança, devido ao  tempo que o seu parceiro passa frente ao computador.
Não nos podemos abstrair que em metade dos casamentos está sempre presente a traição, nomeadamente os monogâmicos precipitados, levam-nos sempre a olhar duas vezes para uma possível aventura  passageira e inofensiva, se é que se poderá considerar um simples e único caso, inofensivo; enquanto isso não se tornar num hábito. O mais grave é quando ele já é recorrente não lhe atribuindo sequer qualquer sentido de culpabilidade, até que o seu aventurado caso seja descoberto pelo cônjuge. Não nos podemos esquecer, deixando para segundo plano, que noventa por cento dos casais ambicionam ter um caso... Assim,  não é menos importante lembrar, que os casais que vieram a casar com os seus amantes, atingem setenta e cinco por cento, mas sessenta por cento acabam inevitavelmente em divorcio passado pouco tempo por não haver entre eles um comportamento comum que estabeleça uma confiança mútua.

Estudos aprofundados realizados nos Estados Unidos relatam imensos casos de infidelidade desencadeados através da internet, que levam as pessoas a ir de encontro à aventura devido ao afastamento gradual de muitos casais por não estabelecerem um dialogo no seu relacionamento, deixando-se afundar no seu silêncio, recorrendo-se de desconhecidos para desabafar da teia de aranha que ele próprio criou. A internet tornou-se na mais perigosa amante que qualquer utilizador possa alguma vez ter, senão souber estabelecer um equilíbrio estável na relação do seu manuseamento obrigando-o a criar princípios protocolares preestabelecidos que separem o que é real do virtual. O mundo virtual nunca estará dissociado do real porque são de pessoas em qualquer dos casos que se trata, mas os perigos serão muito mais abrangentes senão se souber desligar da espontaneidade preconcebida e pensadamente elaborada para muitos de modo, a atingir as suas finalidades na componente mais estranha e bizarra, porque as manobras utilizadas são variadíssimas por ocultação do confronto directo separado por um estático e simples visor.
publicado por Mário Feijoca às 18:01 | comentar | favorito