Reino Animal

No reino animal – de que pouco nos distanciamos – o que define “espécie animal” é a inter-fecundidade e a capacidade de gerar descendência fértil. Assim, se um casal de aves ou de mamíferos gera filhotes férteis, trata-se da mesma espécie animal, ou seja, da mesma raça.

Raças diferentes podem, em alguns casos, gerar descendência, mas esta não será fértil. Vejamos o caso do Pintagol, resultado do cruzamento de um pintassilgo com um canário belga. O pintagol é incapaz de gerar descendência. O mesmo com relação à mula. O cruzamento de um cavalo com uma jumenta resulta num animal mais forte e resistente que seus gestores, a mula, que é estéril! Os exemplos poderiam multiplicar-se.

A espécie ou raça humana tem como características principais o cérebro mais desenvolvido, a capacidade de simbolizar e de comunicar-se através da fala. As diferenças exteriores, aparentes, segundo estudos antropológicos exaustivos, não caracterizam “raças” distintas como a sociologia considerava até o início do século XX. Após o Imperialismo, o Neocolonialismo e, particularmente, o Nazismo, percebemos o equívoco grosseiro daquelas primeiras tentativas de apreender o humano em sua diversidade.

Fazendo um paralelo com nossos irmãos mais jovens, do chamado reino animal, percebemos que se um cidadão de origem japonesa contrai núpcias com uma africana, como nos mostram os contactos culturais disto resultantes, o casal gera descendência plenamente fértil. Trata-se, portanto, da mesma espécie, da mesma raça, a raça humana. O mesmo se um europeu caucasiano contrai matrimónio com uma nativa da América (“índia”): gerará descendência fértil! Esquimós, caucasianos, japoneses, tikuna, yanomami, zulus, sudaneses, bantos, papuas, chineses, etc, etc, etc ficam melhor caracterizados, do ponto de vista humano, como “culturalmente diferenciados”. A capacidade física e intelectual de toda a espécie humana é precisamente a mesma. Os diferentes resultados são consequência da formação cultural e social dos diferentes povos do mundo.

Na sociologia e na antropologia contemporâneas não há mais espaço para considerar, entre seres humanos, uma “raça superior” ou outra “inferior”, como o faziam os nazistas em relação aos judeus ou mesmo os caucasianos em relação aos nativos da África ou da América. As diferenças são miseravelmente aparentes: cor de pele devido à maior incidência de raios solares em certos pontos do planeta fazer com que a selecção natural beneficiasse os melhor adaptados, aqueles que têm uma quantidade maior de melanina na pele; aqueles que vivem em regiões com maior incidência de tempestades e ventos fortes viram os melhor adaptados, com olhos mais fortes e resistentes, tivessem melhor sucesso em sua adaptação e assim por diante – a força física e a capacidade intelectual é rigorosamente a mesma em toda a espécie humana.

publicado por Mário Feijoca às 15:51 | comentar | favorito