03
Mar 05

Um ser Feliz...

Hoje não sei bem porquê, sinto-me contente direi mesmo feliz, apetece-me correr saltar eu sei lá mais quê, mas não sei porquê? Também não faz mal! Teremos de ser obrigados a encontrar justificações para tudo? Claro que não, mas hoje estou mesmo feliz, apesar de não saber o que é a infelicidade, e o que poderá causar essa mesma infelicidade, se sou feliz. Não serei o mais indicado para encontrar essa justificação. Sou bastante bonito, embora às vezes não encontre a companheira ideal, talvez seja, por me absorver na compenetração psíquica viajando numa retrospectiva interior... Só consigo meditar enquanto durmo, oh, devo andar a dormir demais... O meu hobby, é a caça, adoro caçar, mas como tenho dormido demais, nem sequer isso tenho feito como gostaria e depois sozinho, às vezes aborrece-me. Oiço todas as pessoas, ou grande parte dela, sempre a queixarem-se tanto, não percebo, ora é por tudo estar caro, eu não acho, ou é por ser-mos desgovernados, eu não acho nada, andam sempre a dizer cobras e lagartos destes e daqueles, eu não digo, e não digo porque sou muito diferente de vocês. E além do mais, tenho um dono fantástico que eu adoro e confio-lhe a minha vida, porque sou um gato muito bonito!

Sapo Blogs

publicado por Mário Feijoca às 19:27 | comentar | ver comentários (4) | favorito
03
Mar 05

Estamos cansados do homem...

Que coisa me é insuportável, a mim, em particular? Com que coisa não consigo lidar de modo nenhum? O que é que me não deixa respirar e me destrói? O ar pestilento! O ar pestilento! É-me insuportável a proximidade de coisas fracassadas..., ter que cheirar as entranhas de uma alma fracassada!... Quantas coisas não há que suportar: privações, necessidades, mau tempo, enfermidades, sacrifícios, isolamento! No fundo, lidamos com tudo isto, nascidos que somos para uma existência de luta subterrânea. Mas há sempre um dia em que subimos, em que chegamos à luz. Há sempre momentos dourados, horas de triunfo... E aí, eis-nos tal qual nascemos, inquebrantáveis, resistentes, prontos para o que vier de novo, de mais difícil, de mais distante, tensos como o arco que à necessidade responde com maior tensão ainda... Mas, de tempos a tempos, concedei-me — supondo que para lá do bem e do mal existem divindades capazes de tais concessões —, concedei-me a possibilidade de entrever, de lançar um breve olhar sobre uma coisa perfeita, completa, conseguida com felicidade, uma coisa poderosa e triunfante perante a qual haja razão para sentir temor! Um breve olhar sobre um homem que justifique o homem! Sobre um feliz exemplar, capaz de complementar e redimir o homem, e assim dar-nos motivo para conservar a fé no homem!... Porque a nossa situação actual é esta: o grau de aviltação e de nivelamento a que chegou o homem europeu traz consigo o maior perigo que nos ameaça, porque este espectáculo só nos dá cansaço... Não vemos nada que queira ser maior e pressentimos que o que vemos vai continuar a descer, sempre mais para baixo, em direcção ao que houver de mais inconsistente, de mais inofensivo, de mais prudente, de mais acomodado, de mais medíocre, de mais indiferente, de mais chinês, de mais cristão... E o homem, não haja dúvidas, torna-se cada vez «melhor»... É precisamente aqui que reside a fatalidade da Europa: ao perdermos o temor perante o homem, deixámos também de ter amor e respeito por ele, esperança nele, e até mesmo a vontade que conduz a ele. Doravante, o espectáculo deste homem só pode provocar cansaço. O que é hoje o niilismo, senão isto mesmo?... Estamos cansados do homem...
publicado por Mário Feijoca às 04:57 | comentar | ver comentários (4) | favorito