05.Encontros assumidos, são para se cumprirem

Cheguei ao atelier por volta das dez menos um quarto e pensei naquelas horas, se hoje eu tivesse uma nota de 0 a 10, teria certamente dez e um quarto, a nota dez já a ganhei... Agora vou esperar até às 17 horas para ver se consigo fazer o pleno, ou seja, o "quarto" para fazer jus, precisamente, à hora que tinha dado entrada no atelier. Acabei com este pensamento... E fui pôr mãos à obra num projecto que teria de finalizar precisamente hoje.
É sempre agradável chegarmos ao local de trabalho, com esta boa disposição que me invadia, deveria ser assim todos os dias, talvez a vida se mostrasse menos madrasta e nos sorrisse muito mais e produzíssemos muito melhor.

É uma constatação incontornável que a vida é feita destes pequenos nadas que contribuem muito para o nosso bem estar e equilíbrios emocionais saudavelmente favoráveis, que nos aproximaríamos muita mais eficazmente de atingir a felicidade.
Mas eu sei e vocês também sabem, que não é assim que a vida está ordenada, por incúria ou caprichos das leis feitas pelos homens com a finalidade de não nos deixarem sermos completamente livres e seguirmos o rumo apenas pelo instinto. Terá sempre de haver leis, mesmo que mal feitas! Somos sempre orientados pelas leis, pela religião e política, assim como pela moral e ética, é um conjunto de factores que regem sempre a nossa vida numa sociedade em que as regras terão sempre de ser cumpridas, pelo menos no sentido lato do termo em todos os nossos valores.

E com todos estes pensamentos que me atolavam o cérebro aproxima-se a hora do encontro relâmpago e as batidas do meu coração começaram a bater descompassadamente e totalmente descontrolado pela emoção do pensamento, na  tentativa de lembrar-me das feições e da sua figura esbelta e felina...
Aí no local onde estás, invisível aos meus olhos, costumas falar-me de ti... sinto as tuas palavras, os teus temores, a tua "realidade" e descubro uma alma pronta a transmitir toda a doçura que a invade. A única realidade da vida é a sensação. A única realidade da amizade é a consciência da sensação que a mesma produz de paz, de serenidade e de força de viver... E a capacidade de a transmitir aos outros...
A luta pela vida, traz metamorfoses em nós capazes de sentirmos cada vez mais, quão belo é o mundo que nos rodeia e a capacidade de amar que todos temos.

Mas o sol sempre brilha mesmo no meio de nuvens negras. Assim como o amor será sempre o sustento da alma, pelo mesmo conceito que a perversidade estará sempre presente em todos nós quando nos sentimos invadidos pelas emoções descompassadamente inquietantes. Tu podes ser  uma dessas pessoas. A tua capacidade de transmitires carinho e amizade, para com os outros, é como um campo de flores, que perfumam o nosso caminho, mesmo que algumas tragam dores, na ponta dos seus espinhos... Tu transformas a dor em vida, num viver permanente, porque viver por viver não te basta, mesmo que sintas a indiferença dos outros, porque a indiferença é mal que não nos pode afastar de todo o amor que temos para dar. E isso é uma lição. Uma lição que eu retiro todos os dias, e que me dá força para ultrapassar momentos menos bons, em que o desânimo toma conta de mim...
 Porque o sofrer não são só as lágrimas que caem do nosso rosto, são também a dor que as esconde e dentro da alma as sentimos.
Liberta a alma da dor e vive o teu momento. Transmite aquilo que sentes no teu coração, um viver com sentires, com carinho, com amargura e verdades... A força do sentir está em ti. Sentia com todos estes pensamentos, que esse momento tinha chegado.

Caminhei a passos apressados pelo passeio da Rua Garrett em direcção à Brasileira do Chiado. Embora ainda não fossem dezassete horas, não queria perder a oportunidade de a ver trespassar o portal do café e observá-la na sua esbelta figura felina e cheia de encanto.
Cheguei ao meu destino faltavam dez minutos para o encontro marcado (outra vez o dez a perseguir-me). Será que este número hoje me quererá transmitir alguma coisa relevante, que me esteja a passar ao lado por completo, é que, trata-se de um algarismo vulgaríssimo e  perfeitamente oculto um número com "um" à esquerda e o zero à direita, não sentindo a mínima  simpatia por ele, não lhe tenho animosidade, mas é-me totalmente indiferente. Só se na simbologia dos números eu sou o um e o zero é o descalabro que se irá dar, mas, pensando o inverso  também  haverá a possibilidade de a Maritó ser o um e eu um zero à direita (esquerda)... Desviei-me deste pensamento negativo... Olhei para o meu relógio de pulso e faltavam dois minutos para as dezassete horas, pedi um café ao empregado, quase sem despregar os olhos do portal na esperança de a ver surgir. E o tempo decorria lentamente, mas dou uma olhada nas horas novamente e já passavam quinze minutos da hora combinada. A minha impaciência começava a ser notória</span></font>

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publicado por Mário Feijoca às 06:07 | comentar | favorito